Em meio à transformação causada pela inteligência artificial e às mudanças nas expectativas das novas gerações, a diretora de Pessoas do Magalu afirma que as empresas precisarão rever práticas históricas de recrutamento, liderança e organização do trabalho.
No recém-lançado livro ‘The Age of HR’, o pai do RH moderno reúne mais de 80 líderes globais para responder o que acontece quando o RH para de medir atividades e passa a criar valor humano.
Com uma trajetória de quase duas décadas na gigante do setor de bens de consumo, gerente sênior de RH alia profundo conhecimento do negócio ao olhar inovador sobre a área de Pessoas.
Com debates sobre transformação organizacional, remuneração e inteligência artificial, a 3ª edição do SOMA reuniu lideranças de empresas como Google, IBM, XP, Britânia, McCain Foods e Olist para falar do futuro de Total Rewards no Brasil.
Em meio à expansão da Skyone, executiva defende um RH mais estratégico e preparado para trabalhar com IA; com 25 anos de história na área, liderança se preocupa com entrada de novas gerações no mercado de trabalho.
Dados de uma nova pesquisa da ABRH Brasil mostram cenário de transformações em curso; trabalho presencial volta a ser maioria, enquanto uso de IA avança rapidamente.
Com mais de 30 anos de experiência no RH, executiva se especializou em lidar com transições e mudanças, mas diz que ainda espera ver muita transformação na área.
O professor Paulo Almeida, da FDC, declara que há um jogo cognitivo, estratégico e profundamente humano em curso nas organizações. A pergunta é: você está jogando ou está sendo jogado?
Com mais de 30 anos de carreira, líder do RH na farmacêutica aposta no papel da liderança e das conexões humanas para promover mudanças significativas de cultura.
Dados do 1º trimestre de 2026 trazem uma redução de 3.279 afastamentos comparado com o mesmo período do ano anterior. Será que os números apontam para uma nova tendência?
Humanizar a tecnologia: as future skills começam agora
Em um novo artigo da coluna da Fundação Dom Cabral, a professora Tatiana Weiss reflete sobre o poder da tecnologia em ampliar as habilidades humanas dentro das organizações
Convidado Fundação Dom Cabral
15 de julho de 2025
Leia emminutos
Voltar ao
topo
*Tatiana Weiss
Nos últimos anos, a discussão sobre as “future skills” e obsolescência das competências têm deixado de ser previsão para se tornar uma urgência estratégica. Em janeiro deste ano, a publicação do World Economic Forum, “The Future of Jobs Report 2025”, aponta que pensamento analítico, resiliência, agilidade, influência, curiosidade, coragem, empatia, criatividade e adaptabilidade não são apenas tendências em relatórios de RH: são competências críticas para navegar um mundo onde a inteligência artificial transforma profundamente a forma como aprendemos, trabalhamos e nos relacionamos. E, ao contrário do temor da substituição, a IA não veio apagar essas habilidades — mas sim potencializá-las.
Humanizar a tecnologia significa, antes de tudo, reconhecer que ferramentas digitais, por mais sofisticadas que sejam, não criam valor por si só. Elas precisam estar a serviço das pessoas. Quando bem integrada, a IA atua como aliada: personaliza jornadas de aprendizagem, oferece feedback em tempo real, organiza o pensamento e, em muitos casos, reduz barreiras emocionais e sociais que travam o desenvolvimento. Mas para isso, é preciso mais do que algoritmos — exige dados estruturados, propósito claro e uma mudança cultural no uso da tecnologia.
Esse novo cenário exige o desenvolvimento equilibrado de três inteligências: emocional, social e artificial. Saber pedir ajuda, ampliar repertório de maneira assertiva, manter conexões significativas, identificar e nomear emoções com precisão são práticas que reforçam a resiliência diante da ansiedade, da solidão e da instabilidade do mundo moderno.
Trabalhando constantemente para empresas e organizações públicas com soluções personalizadas de desenvolvimento executivo na Fundação Dom Cabral, observo que para alcançar efetivamente esses objetivos de desenvolvimento, capacitar é fundamental, mas não suficiente; treinar habilidades é fundamental, mas não suficiente. É preciso ampliar conhecimentos, (re)definir habilidades e mudar comportamentos, tudo ao mesmo tempo, e sem perder tempo. E, para isso, é preciso desenvolver pessoas de forma diferente do que tem sido feito até hoje e contar com a tecnologia em todas as etapas para viabilizar a escala.
Cinco perspectivas necessárias para a eficácia e assertividade do aprendizado executivo incluem:
1. Investir em ampliação do autoconhecimento e do conhecimento do contexto e dos desafios profissionais e organizacionais dos executivos. Esse deve ser o ponto de partida de qualquer projeto de educação executiva. Citando a entrevista com Mariana Achutti, CEO da New New publicada em abril em Cajuína, o primeiro passo da educação corporativa deve ser entender quem precisa ser desenvolvido, o que querem aprender e como querem aprender.
2. Em contextos de transição ou redefinição identitária, o coaching tem sido um espaço valioso para reflexão e reencontro com valores pessoais.
3. Quando da necessidade de desenvolvimento de skills críticas, em mudanças estratégicas organizacionais e/ou processos de sucessão de liderança, a mentoria executiva permite compartilhar caminhos já percorridos e promover avanços importantes de forma ágil.
4. Redes de apoio como grupos de accountability e fóruns de networking tornam-se também estratégias fundamentais de aprendizado para lidar com as mudanças.
5. Tudo isso somado ao fortalecimento do repertório de conhecimentos com curadoria personalizada de conteúdo para os desafios do executivo.
Portanto, o papel da área de Learning & Development também se redesenha. Não basta entregar treinamentos: é preciso influenciar o negócio, falar a linguagem das lideranças, construir alianças estratégicas e mostrar resultados com dados, narrativas e impacto.
Em um mundo em constante transformação, identidade, ética e propósito voltam ao centro da tomada de decisão. E nesse cenário, a tecnologia mais relevante será aquela que ajudará a desenvolver justamente aquilo que nenhuma máquina pode substituir: o humano em nós.
*Tatiana Weiss. Formada em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, MBA em Gestão Empresarial e Mestre em Administração. Tatiana atuou como consultora de empresas no Brasil e na América Latina nas áreas de Gestão de Pessoas, Planejamento Estratégico e Change Management, além de professora no Brasil e na África na disciplina de Mudança Organizacional. É Gerente da Fundação Dom Cabral desde 2011, onde atuou no desenvolvimento de empresas de médio porte e hoje lidera o Trekker, área focada no desenvolvimento personalizado de executivos e design de carreira.