A nova seção de Cajuína acompanha as principais mudanças nas lideranças de Pessoas do País; na estreia, novo comando na Heineken e um retorno na fintech EBANX
Com sede em Araucária (PR), o grupo Risotolândia é uma empresa com 70 anos de trajetória consolidada no segmento de refeições coletivas. São mais de 550 mil refeições feitas por dia e destinadas a escolas, empresas, hospitais e supermercados, com atuação nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Ao todo, mais de 300 cidades são atendidas.
O ecossistema de alimentação da Risotolândia reúne sete marcas, entre alimentação, pratos ultracongelados, logística e facilities. Para atender todo esse público, a companhia possui cerca de 5 mil colaboradores, em uma composição bastante diversa: 86% são mulheres e 30% têm mais de 50 anos.
Em entrevista ao Cajuína, Ezequiel Daniel, Gerente de Relações Trabalhistas e Sindicais do Risotolândia, disse que os funcionários desta faixa etária são muito bem-vindos e encontram na empresa, além da proximidade com os pares, a oportunidade de se desenvolverem. “Eu mesmo entrei como officeboy, uma função que nem existe mais, numa trajetória de 36 anos.”
Confira, a seguir, os principais trechos da conversa:
Esse é um público que acaba sendo excluído do mercado de trabalho, mas na Risotolândia acontece o contrário. Aqui, ele é muito bem-vindo. Nos nossos recrutamentos, aproximadamente 23% dos colaboradores que entram na companhia, mensalmente, estão nessa faixa etária de 50 anos ou mais.
Dos nossos 5 mil empregados, cerca de 2,5 mil são atendentes ou merendeiras. O que acontece é que quando a pessoa chega na empresa ela sabe que vai encontrar os pares dela, pessoas que têm a mesma idade. Eventualmente, ela ainda vai encontrar com os filhos e netos que estudam na escola que ela trabalha, isso vai acontecendo e esse público vai chegando cada vez mais.
Por terem uma vivência maior, trazem paciência, mais tato e cuidado com o cliente. Isso nos ajuda a manter a qualidade da prestação do serviço. Dentro da empresa, eles se sentem pertencentes e acolhidos. Temos um programa de bem-estar com psicólogo, assistente social e nutricionista. Além disso, esse é um público que tende a ficar na empresa, contribuindo para que a nossa rotatividade diminua. Outra vantagem é que ele nos ajuda a moldar os jovens – apesar da média de idade dos colaboradores ser de 40 anos, temos 250 aprendizes em atuação.
Um complementa o outro. O jovem é enérgico, tem vontade de crescer, conhece tecnologia. Então, há uma troca com ganhos para ambos os lados. É claro que há conflitos, mas os benefícios que contribuem com a nossa organização são muito maiores. A empresa tem a responsabilidade de fazer com que eles se integrem e isso ocorre de forma bem interessante também nas ações sociais que fazemos externamente. A Risotolândia tem projetos de sustentabilidade e ESG, que atendem agricultores, além de comunidades e crianças.
Temos um déficit de cozinheiros impressionante, por isso proporcionamos a formação para auxiliares de cozinha, dando as ferramentas necessárias para que eles se tornem cozinheiros. O colaborador que chegou como auxiliar, invariavelmente, vai se tornar cozinheiro, mas tenho exemplos de profissionais que se tornaram nutricionista e chegaram ao cargo de gerente de unidade no departamento.
Ou seja, o colaborador pode passar de auxiliar de cozinha para meio oficial, cozinheiro, até chegar ao cargo de supervisor ou gerente de unidade. Evidentemente que é preciso ter a formação adequada para isso. Para ser gerente de unidade, por exemplo, tem que ter curso superior. Eu mesmo entrei como officeboy, uma função que nem existe mais e sou gerente de relações trabalhistas e sindicais, numa trajetória de 36 anos.
Temos a Universidade Corporativa, em que todos os colaboradores têm acesso às trilhas de desenvolvimento. É claro que as trilhas estão atreladas às vagas, mas há opções que vão desde como fazer uma costela até gestão financeira e administrativa. À medida que eles vão concluindo os cursos, recebem certificados e bônus, cumprindo um dos critérios para a promoção. Também há os games em que o colaborador vai aprendendo sobre os conteúdos como se fosse um jogo em que vai jogando e pode ganhar prêmios. Além disso, temos convênios com faculdades que garantem bolsas de estudos para os colaboradores que querem ingressar no ensino superior.
Vou deixar como indicação o filme O Senhor Estagiário, com Robert De Niro e Anne Hathaway, que trata bem da mistura de perfis geracionais e dessa importante troca de experiências no mundo do trabalho.
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