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Por que estão falando tanto sobre… a união entre humanos e IA na força de trabalho

Pesquisa do MIT Technology Review Brasil não deixa dúvidas que inteligência artificial será importante no mundo do trabalho, mas adoção real será cheia de obstáculos

Bruno Capelas
30 de junho de 2026
Capa do artigo Por que estão falando tanto sobre… a união entre humanos e IA na força de trabalho
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O que você precisa saber

De tempos em tempos, algumas frases tomam conta do RH. “O RH tem que ser estratégico” ou “a IA não vai roubar empregos, mas sim quem souber usar a IA” são só algumas delas. Agora, a bola da vez está com os agentes de IA: “num futuro próximo, teremos cada vez mais gestores lidando com equipes de humanos e IA através dos agentes trabalhando juntos”.

A frase não deixa de ser verdadeira, mas torná-la realidade parece ser um desafio mais difícil do que inicialmente esperado. Pelo menos é o que mostra a pesquisa A Nova Força de Trabalho Híbrida, realizada pela empresa de tecnologia Skyone, em parceria com a MIT Technology Review Brasil. O levantamento ouviu 265 líderes e profissionais de diferentes setores e encontrou um cenário curioso.

Enquanto 99% dos entrevistados acreditam que agentes de IA terão papel central nos negócios nos próximos três anos, a maioria das organizações ainda enfrenta dificuldades para transformar essa convicção em capacidade operacional.

Os números revelam um descompasso importante entre expectativa e preparação. Segundo a pesquisa, 74% das empresas ainda estão em estágio inicial ou intermediário de adoção de inteligência artificial. Mais do que isso: 57% afirmam não ter orçamento dedicado à área e 59% dizem não estar preparadas para operar equipes híbridas formadas por profissionais e sistemas inteligentes nos próximos 12 meses.

O estudo da Skyone também aponta que os obstáculos estão menos ligados ao acesso à tecnologia e mais à forma como as empresas estão organizadas. Quatro em cada dez entrevistados apontam a integração entre áreas como principal barreira para avançar em iniciativas de IA, enquanto 46% afirmam que negócio e tecnologia ainda trabalham em silos ou sem uma dinâmica claramente definida.

Na prática, isso significa que muitas organizações já experimentam ferramentas de IA, mas encontram dificuldades para levá-las além de pilotos e testes isolados. A percepção sobre o potencial da tecnologia avançou mais rápido do que processos, estruturas de governança e modelos de gestão capazes de sustentá-la.

“A expectativa é quase consensual. O que falta é aquilo que sustenta qualquer mudança estrutural: orçamento real, infraestrutura adequada, alinhamento entre áreas e governança sobre dados e processos”, diz um trecho do estudo.

Outro dado chama atenção: embora 46% das empresas afirmem investir em inteligência artificial para aumentar produtividade, apenas 14% utilizam retorno sobre investimento como principal métrica para avaliar seus projetos. O resultado é um cenário em que existe consenso sobre a importância da IA, mas ainda pouca clareza sobre como medir seu impacto e incorporá-la à operação de forma consistente.

O que isso significa para o RH

Se há dúvidas na forma como as pessoas vão trabalhar e as equipes vão se organizar no futuro próximo, o RH tem uma missão fundamental: ajudar as empresas a desvendar como isso vai acontecer.

Ao contrário do que ocorreu em outras transformações digitais, trabalhar com IA não significa apenas disponibilizar novas ferramentas aos colaboradores. A revolução corrente exige que papéis, responsabilidades, competências e formas de liderança sejam repensados.

A própria pesquisa sugere que muitas empresas ainda não perceberam completamente essa mudança. Enquanto 41% priorizam especialistas técnicos em suas estratégias de IA, apenas 24% dão a mesma atenção a profissionais ligados à adoção, transformação cultural e gestão da mudança.

Para o RH, isso abre uma agenda ampla. Será preciso apoiar o desenvolvimento de novas competências, preparar líderes para gerenciar equipes compostas por pessoas e sistemas inteligentes e ajudar a criar modelos de trabalho capazes de combinar produtividade e supervisão humana. Mais do que perguntar quais atividades podem ser automatizadas, as empresas começam a enfrentar uma questão mais estratégica: como reorganizar o trabalho quando humanos e IA passam a atuar lado a lado.

Bruno Capelas é jornalista. Foi repórter e editor de tecnologia do Estadão e líder de comunicação da firma de venture capital Canary. Também escreveu o livro 'Raios e Trovões – A História do Fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum'.