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André Proença defende que o principal diferencial de um líder deixou de ser oferecer respostas: hoje está na capacidade de fazer perguntas melhores e de usar competências que complementam a inteligência artificial, em vez de competirem com ela
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Apesar do aumento de casos no 2º trimestre vs o 1º trimestre, o fechamento dos seis primeiros meses do ano é animador com uma redução de mais de 35 mil casos na comparação com o 1º semestre de 2025
Pesquisa inédita conduzida pela UFMG, ACNUR e Pacto Global mostra que a inclusão de refugiados deixa de ser apenas uma agenda social e passa a ganhar espaço como estratégia de gestão de pessoas
Na cadeira principal de RH das Américas dentro de uma das maiores empresas de transporte marítimo do planeta, executivo explica que multinacionais não terão sucesso se tentarem impor suas governanças ignorando as características de cada região
O termo ganha força entre profissionais mais jovens para descrever o esgotamento causado não pelo excesso de trabalho, mas pela falta de desafios; especialistas alertam que a subutilização de competências pode gerar apatia, desengajamento e sofrimento silencioso
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Em entrevista a Cajuína, fundador da Wikipédia explica por que acreditar nas pessoas não é valor abstrato, mas prática diária de liderança; em livro recém-lançado no Brasil, ele reúne lições sobre colaboração, transparência e confiança em tempos de polarização e IA
O desperdício oculto: por que o turnover deve ser tratado como métrica do seu P&L
E como ele valida o seu EVP e diagnostica sua Health Culture
Convidado Comp
25 de fevereiro de 2026
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Por Bernardo Rodrigues*
Nas salas de conselho e nas reuniões de diretoria, discutimos margens, EBITDA, market share e o custo de capital. Olhamos para o DRE como o mapa definitivo da saúde de uma organização. No entanto, existe um indicador que frequentemente habita as notas de rodapé dos relatórios de RH, mas que, na realidade, é o principal preditor da sustentabilidade de longo prazo de qualquer negócio: o turnover.
Não o turnover como uma métrica passiva de “quantas pessoas saíram”, mas o turnover como o eco da cultura e o vazamento invisível de rentabilidade.
A Verdade sobre o EVP: onde a promessa encontra a realidade
Muitas empresas investem milhões na construção de sua Employee Value Proposition (EVP). Campanhas de marca empregadora e atração de pessoas, escritórios modernos e pacotes de benefícios robustos tentam vender um sonho. Mas o turnover é o juiz final dessa promessa.
Se o EVP é o que dizemos ao mundo sobre como é trabalhar aqui, o turnover é o que o mundo (e nossos talentos) nos diz de volta. Quando perdemos profissionais talentosos, não estamos apenas perdendo “headcount”. Estamos testemunhando uma falha na entrega da promessa cultural. O turnover é o indicador definitivo de Health Culture. Ele revela se a empresa é um solo fértil para o crescimento ou um ambiente de passagem. Para o CEO, este deveria ser o dado mais alarmante: cada pedido de demissão é, em última análise, um voto de desconfiança na perenidade do modelo de gestão.
A anatomia do desperdício: o impacto no NPS e na margem
Muitas vezes, o custo do turnover é subestimado por ser fragmentado. O CFO olha para os custos rescisórios, o recrutamento e o treinamento. Mas o verdadeiro custo está na erosão da execução.
Imagine uma engrenagem de vendas ou de atendimento ao cliente. Quando um profissional experiente sai, ele leva consigo o capital intelectual, o relacionamento com o cliente e o entendimento tácito dos processos. O substituto, por mais talentoso que seja, enfrentará o inevitável período de ramp-up.
Durante esses meses de aprendizado:
O NPS (Net Promoter Score) sofre: O cliente sente a diferença entre ser atendido por um veterano que conhece suas dores e por um novato que ainda está aprendendo o produto.
A Receita é impactada: O ciclo de vendas se alonga; a conversão cai.
A Margem deteriora: Você paga o custo total de um profissional que ainda entrega uma fração de sua capacidade produtiva.
Quando multiplicamos esse cenário por centenas de posições, o turnover deixa de ser uma “métrica de RH” e passa a ser uma âncora que arrasta o resultado financeiro da companhia para baixo.
O paradoxo do retrovisor: a gestão que chega atrasado
O grande drama das organizações modernas não é a falta de dados, mas a latência.
Atualmente, a maioria das empresas gere o turnover olhando pelo retrovisor. Reúnem-se mensalmente para analisar o que aconteceu 30 ou 60 dias atrás. Tentam entender por que os talentos saíram quando eles já estão vestindo a camisa do concorrente. No mundo dos negócios de alta velocidade, gerir turnover de forma reativa é como tentar pilotar um avião olhando apenas para o rastro deixado no céu.
O tempo de reação é o novo diferencial competitivo. Se você só sabe que tem um problema de retenção quando a taxa de saída sobe, você já perdeu a batalha pelo talento, pelo conhecimento e pelo lucro daquele período.
A era da predição: a IA como aliada
É aqui que a sofisticação técnica encontra a urgência estratégica. Na Comp, acreditamos que o RH não precisa de mais relatórios de “autópsia”; ele precisa de prognósticos.
O desenvolvimento de soluções de IA voltadas para a predição de turnover não é sobre “adivinhar o futuro”, mas sobre identificar padrões de comportamento, atrito e desengajamento antes que eles se tornem irreversíveis. Através de algoritmos avançados, somos capazes de sinalizar quais grupos, áreas ou perfis estão em risco, permitindo que a liderança aja com proatividade.
Imagine o poder de um CHRO ou de um CEO que pode intervir em uma área ou B.U. crítica de tecnologia ou vendas antes que uma debandada ocorra. Isso não é apenas eficiência operacional; é gestão de risco patrimonial. A IA permite que as organizações saiam do “acho que o clima está pesado” para o “sabemos onde a fricção está ocorrendo e como mitigá-la agora”.
O futuro é preditivo e profundamente humano
Ao olharmos para o futuro do Total Rewards e da gestão de pessoas, a tecnologia não deve ser vista como uma fria camada de automação, mas como uma lente que aumenta nossa percepção humana.
Ferramentas preditivas dão aos líderes o recurso mais escasso de todos: tempo. Tempo para conversar, tempo para ajustar rotas, tempo para cuidar das pessoas que sustentam o resultado.
Empresas que continuarem a tratar o turnover como um dado histórico estarão fadadas a uma performance mediana. Já as empresas que abraçarem a predição como uma ferramenta de governança estarão protegendo sua cultura, seu NPS e sua margem.
Muitos líderes olham para o turnover como uma métrica de RH, mas poucos encaram a pergunta que realmente importa: você sabe quanto o turnover custa no seu P&L hoje? Entender esse valor é o primeiro passo para parar de gerir o retrovisor. Na Comp, nossa missão é fornecer essa clareza. Porque, no final das contas, uma empresa que não consegue prever quem vai embora, dificilmente conseguirá planejar para onde quer ir.
*Bernardo Rodrigues é Compensation Executive na Comp. Possui mais de 14 anos de experiência em RH e Remuneração, com passagens em grandes empresas de tecnologia e varejo, ocupando cadeiras de liderança e de especialista no tema. Também atua como mentor e facilitador de ensino em temas relacionados a área de RH e remuneração.