A expressão do momento, aquela tendência que acabou de chegar ao mercado, uma notícia que tem chamado atenção, uma trend que viraliza nas redes ou até uma nova regulamentação. Se o tema está quente, é melhor não ficar para trás. Mas nem sempre conseguimos acompanhar tudo o que tem acontecido no mundo do RH.
A roda gira, e às vezes bem rápido. Esta seção de Cajuína traz os assuntos mais frescos do universo de quem trabalha com gente.
Na pauta desta semana, vamos falar sobre… um novo levantamento que mostra o quanto as lideranças tem sido pressionadas para adotar inteligência artificial no dia a dia – e como isso pode afetar o emocional das equipes.
O que você precisa saber
O fato de que a inteligência artificial está cada vez mais entrando no dia a dia das empresas não é novidade para ninguém. A forma como isso está acontecendo, porém, pode trazer consequências muito interessantes para as organizações – e um novo estudo lançado esta semana no Brasil dá conta do quanto a pressão para adoção da IA está reorganizando o cenário.
Lançado nesta terça-feira, 03/03, pela newnew, a 3ª edição do Panorama de Sentimento das Lideranças ouviu mais de 300 executivos de médias e grandes empresas para entender como a IA está mudando emoções, decisões e prioridades estratégicas nas empresas brasileiras.
Segundo o estudo, 80% das empresas já adotaram IA, com a maioria das lideranças (59%) se dizendo otimista ou cautelosamente otimista.
Ao mesmo tempo, só 11% afirmam que a implementação “deu super certo”. A maturidade média declarada é 6, em uma escala de 0 a 10.
Os ganhos existem: 51% relatam aumento de produtividade e eficiência operacional. Ao mesmo tempo, 41% apontam saúde mental como principal preocupação no contexto atual. Ansiedade, perda de senso crítico e sobrecarga aparecem como efeitos colaterais de uma adoção acelerada.
O dado mais estrutural está nos gargalos: 38% dos entraves estão ligados a pessoas, envolvendo questões como lacuna de habilidades, cultura e letramento em IA. Outros 32%, segundo os respondentes, dizem respeito à estratégia. Tecnologia e dados representam uma parcela menor do problema. E 53% das empresas ainda não têm governança estruturada para IA.
Não são preocupações inéditas: feita pela Cajuína em parceria com a Fundação Dom Cabral, uma pesquisa recente sobre o uso de IA no RH aponta questões parecidas.
Publicado no Goles de Inspiração para o RH 2026, o levantamento mostra que 52,4% dos profissionais de RH já se sentem pressionados a trabalhar com IA, enquanto 68% das empresas utilizam ou testam a tecnologia. Ao mesmo tempo, 41,4% relatam desafios legais ou regulatórios e 55,3% demonstram preocupação com vieses algorítmicos.
O dado reforça que a adoção avança, mas ainda convive com lacunas de preparo técnico e ético, ampliando a tensão entre expectativa de resultado e capacidade real de sustentação.
O que isso significa para o RH?
Se o gargalo não é tecnológico, ele passa a ser organizacional – e, portanto, humano.
O estudo reforça que a discussão deixou de ser “adotar ou não IA” e passou a ser “como sustentar o uso”. Isso envolve três frentes que recaem diretamente sobre RH e liderança:
- Aprendizagem prática e contínua: a prática do upskilling precisa virar um sistema dentro do RH das empresas. Não basta ensinar a usar as ferramentas; é preciso desenvolver o pensamento crítico, a capacidade analítica e a clareza de decisão em torno da IA.
- Saúde mental e cognitiva: a pressão não vem só da demanda por velocidade nas entregas, mas da expectativa de que a IA resolva tudo a partir de agora. Sem direcionamento claro, a sobrecarga aumenta – e a responsabilidade difusa desgasta tanto líderes quanto suas equipes.
- Governança e clareza estratégica: com mais da metade das empresas sem diretrizes estruturadas, o RH tende a precisar assumir papel de articulador entre cultura, política de uso e desenvolvimento de competências.
O Panorama de Sentimento das Lideranças, assim como o Goles de inspiração para o RH, sugere que a próxima etapa da transformação não será sobre novas ferramentas, mas sobre organização do trabalho. E isso desloca a conversa da TI para a liderança – e, inevitavelmente, para a agenda de pessoas.