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Depois de um 2025 marcado por recordes históricos, quando o Brasil ultrapassou a marca de 534 mil afastamentos de profissionais do trabalho por transtornos mentais, o início de 2026 trouxe um primeiro sinal de desaceleração.
No levantamento publicado pela Cajuína sobre o 1º trimestre de 2026, mostramos que os afastamentos haviam registrado uma redução de 3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Na ocasião, fizemos um alerta: ainda era cedo para afirmar que o país estava diante de uma mudança de tendência, principalmente porque fatores operacionais do INSS poderiam influenciar os números.
Agora, com o fechamento do primeiro semestre de 2026, já é possível responder essa pergunta com mais segurança.
Os novos dados mostram que a desaceleração observada no início do ano não foi um movimento isolado. Entre janeiro e junho, o Brasil registrou 232.382 afastamentos por transtornos mentais, contra 267.690 no mesmo período de 2025. Isso representa uma redução de 13,2%, equivalente a 35.308 afastamentos a menos em apenas seis meses.
Ainda é cedo para afirmar que o país reverteu definitivamente a curva de crescimento observada nos últimos cinco anos. Mas, pela primeira vez desde que Cajuína acompanha essa série histórica, há evidências mais consistentes de desaceleração.
Na série Data Cajuína, seguimos analisando mensalmente os dados públicos do INSS para ajudar profissionais de RH, lideranças e empresas a compreenderem como evolui um dos principais desafios do mundo do trabalho.
O primeiro semestre terminou com um resultado que poucos meses atrás ainda era apenas uma hipótese.
Entre janeiro e junho de 2026 foram registrados 232.382 afastamentos por transtornos mentais, frente aos 267.690 registrados no primeiro semestre de 2025. Isso representa:
Embora o número absoluto continue elevado, a redução observada ao longo dos seis primeiros meses representa a primeira desaceleração consistente desde que a série passou a ser acompanhada pela Cajuína.
| Indicador | H1/2025 | H1/2026 | Variação |
| Total de afastamentos por saúde mental | 267.690 | 232.382 | -13,2% |
| Auxílios-doença (Espécie 31) | 1.923.666 | 1.822.376 | -5,3% |
| Participação da saúde mental nos auxílios-doença | 13,9% | 12,8% | -1,1 p.p. |
Uma leitura superficial poderia sugerir que o aumento registrado entre o primeiro e o segundo trimestre significaria uma retomada da alta.
Não foi isso que aconteceu. O 2º trimestre de 2026 registrou 126.508 afastamentos, acima dos 105.874 observados no primeiro trimestre.
Entretanto, quando comparado ao mesmo período de 2025, o cenário continua de redução.
| Trimestre | 2025 | 2026 | Variação |
| Q1 | 109.153 | 105.874 | -3,0% |
| Q2 | 158.537 | 126.508 | -20,2% |
O aumento observado entre abril e junho representa uma recuperação natural após um primeiro trimestre mais baixo, mas ainda permanece muito distante dos volumes registrados no ano anterior.
Em outras palavras: o segundo trimestre cresceu em relação ao primeiro, mas continuou significativamente abaixo do mesmo período de 2025.
Ao analisar os dados mês a mês, fica evidente que a desaceleração não ocorreu de forma uniforme.
O principal destaque está em maio, que sozinho apresentou uma redução de mais de um terço em relação ao mesmo mês de 2025, tornando-se o principal responsável pelo fechamento positivo do semestre.
Já março permaneceu como uma exceção, impulsionado pelo mutirão promovido pelo INSS, que antecipou milhares de atendimentos.
Um dos aspectos mais relevantes deste levantamento é que a queda não ficou concentrada em apenas um diagnóstico. Ela aparece praticamente em todas as principais categorias de transtornos mentais.
Entre os destaques estão:
Mesmo com a redução, a ansiedade continua sendo a principal causa de afastamento, respondendo por aproximadamente 32% dos casos do semestre.
As dez doenças mais frequentes seguem representando mais de 93% de todos os afastamentos registrados.
Além dos transtornos classificados entre os códigos F00 e F99, o portal Cajuína continua acompanhando separadamente os registros classificados como Z73.0 – Esgotamento, frequentemente associados ao burnout. No primeiro semestre de 2026 foram registrados 3.598 afastamentos com esse código.
Caso fosse incorporado ao ranking dos transtornos mentais, o burnout ocuparia novamente a 10ª posição, à frente dos transtornos específicos da personalidade (F60).
Outro aspecto importante é a forma como esses afastamentos são classificados pelo INSS. Durante o segundo trimestre:
Abril → 727 afastamentos:
Maio → 669 afastamentos:
Junho → 674 afastamentos:
Assim como observado no primeiro trimestre, aproximadamente quatro em cada cinco afastamentos continuam sendo registrados como Auxílio-Doença Previdenciário (Espécie 31), e não como benefício acidentário.
Isso indica que, mesmo quando o esgotamento possui forte relação com o ambiente de trabalho, ele ainda é predominantemente tratado como um afastamento comum.
Observação: Os registros classificados como Z73.0 – Esgotamento não são somados ao total de afastamentos por saúde mental apresentado neste estudo, pois pertencem a uma categoria distinta da CID-10 (“Problemas relacionados com a organização de seu modo de vida”), fora do Capítulo V (F00–F99). Eles são apresentados como uma camada complementar de análise.
Os dados do primeiro semestre de 2026 representam um marco importante para esta série.
Pela primeira vez, após cinco anos consecutivos de crescimento e um recorde histórico registrado em 2025, os indicadores apontam para uma redução consistente no número de afastamentos por transtornos mentais.
Isso, porém, está longe de significar que o problema foi resolvido. Mesmo com a queda de 13,2%, o Brasil ainda registrou 232.382 afastamentos em apenas seis meses, um volume extremamente elevado que mantém a saúde mental entre os principais motivos de concessão de auxílio-doença no país.
Ao mesmo tempo, a entrada em vigor da NR-1 revisada, que passou a exigir das empresas a identificação e o gerenciamento dos riscos psicossociais, reforça que saúde mental deixou de ser apenas uma pauta de conscientização. Ela passa a integrar definitivamente a agenda de gestão de riscos, compliance e sustentabilidade do trabalho.
Talvez a principal conclusão deste levantamento seja justamente essa: os dados finalmente mostram uma desaceleração, mas ainda é cedo para afirmar que a curva foi revertida.
Os próximos meses serão decisivos para entender se o país iniciou uma nova tendência ou se está apenas vivendo uma pausa após um longo ciclo de crescimento. É justamente por isso que a Cajuína continuará acompanhando mensalmente esses dados públicos e transformando-os em inteligência para empresas, lideranças e profissionais de RH.
Este conteúdo foi produzido a partir da análise de dados públicos oficiais, disponibilizados mensalmente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e pelo Ministério da Previdência Social por meio do Portal de Dados Abertos do Governo Federal.
Para este levantamento, a equipe Cajuína analisou as bases mensais de benefícios concedidos associados a transtornos mentais e comportamentais, conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), no período de janeiro de 2026 a junho de 2026.
Este estudo contempla todo o conjunto de transtornos mentais listados no Capítulo V da CID-10 (códigos F00 a F99). Isso inclui, além de quadros ansiosos e depressivos, condições mais graves e complexas, como esquizofrenia, transtornos psicóticos, transtornos de personalidade e transtornos mentais e comportamentais relacionados ao uso de álcool e outras substâncias.
Essa escolha metodológica amplia o escopo da análise e permite uma visão mais completa do impacto da saúde mental no afastamento de profissionais do trabalho. Dessa forma, evitamos a exclusão de grupos relevantes de diagnósticos.
Além disso, como camada complementar de análise, também foram extraídos os dados relacionados ao código Z73.0 – Esgotamento (burnout). No entanto, esses registros não são somados ao total de afastamentos por saúde mental, pois pertencem a uma categorização distinta dentro da CID-10, classificada como “Problemas relacionados com a organização de seu modo de vida”, fora do Capítulo V (F00–F99). A inclusão deste dado tem caráter analítico e visa ampliar a compreensão sobre sinais prévios de adoecimento mental no trabalho.
Os dados são extraídos mensalmente dos arquivos disponibilizados no portal de Dados Abertos, sempre no mês subsequente ao período de referência, em formato estruturado (CSV). A partir dessas bases, a Cajuína realiza processos próprios de tratamento, padronização e consolidação, incluindo:
Ao adotar essa metodologia, a equipe do portal Cajuína busca oferecer uma leitura transparente, consistente e comparável ao longo do tempo. Nosso objetivo é contribuir para um debate mais qualificado sobre saúde mental nas empresas brasileiras.

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