Em parceria com Atento, distribuidora de gás do RJ revisou estratégia de contratação para ampliar a presença de profissionais 40+ no atendimento e viu indicadores de qualidade, resolução e engajamento evoluírem; para executiva, iniciativa também cumpre papel social
Novos estudos sugerem que a flexibilidade do home office pode vir acompanhada de um custo menos visível: o aumento da solidão e seus impactos sobre a saúde mental dos trabalhadores
Com 70 anos de história, companhia de refeições coletivas encontrou no pertencimento e no desenvolvimento profissional uma fórmula para atrair e reter trabalhadores mais experientes
A nova seção de Cajuína acompanha as principais mudanças nas lideranças de Pessoas do País; na estreia, novo comando na Heineken e um retorno na fintech EBANX
Pesquisa do MIT Technology Review Brasil não deixa dúvidas que inteligência artificial será importante no mundo do trabalho, mas adoção real será cheia de obstáculos
Gigante do alumínio criou programa para afastar estigma em torno da periculosidade da área; batizada de Recomeçar, iniciativa mobiliza múltiplas áreas e inclui treinamentos virtuais, uso de IA e ações de inclusão
Executivo fala sobre as estratégias da biofarmacêutica, que incluem metas de representatividade, inteligência artificial, desenvolvimento de talentos e cultura organizacional com intencionalidade
CHRO da companhia, Erika Magalhães explica de que forma um programa de ideias engajou mais de 1,3 mil colaboradores, implementou 58 sugestões e gerou cerca de R$ 1 milhão em economia
Em meio à transformação da Caloi, diretora sênior de recursos humanos defende que as capacidades humanas serão cada vez mais decisivas para o sucesso das organizações; com 25 anos de carreira, executiva mescla experiências em empresas como Pepsico e Avon com o saber da academia para fazer turnaround em fabricante de bicicletas
Em coluna para Cajuína, Raul Juste Lores conecta a ausência da decoração verde e amarela nas ruas brasileiras à fuga do espaço público e provoca: o gestor de RH precisa sair da bolha e conhecer a cidade que cerca a empresa antes da Copa do Mundo de 2030.
Uma RH no SXSW: por que explorar eventos de outras áreas
Mariana Mesquita, Global Talent Manager da Hotmart, esteve no SXSW, em Austin, e conta como um festival de inovação, tech e música pode fazer sentido para quem trabalha com RH
Este mês estive pela primeira vez no SXSW (South by Southwest), um festival de inovação, tecnologia, música, cinema e cultura do mundo que acontece anualmente em Austin, desde 1987. Foi uma experiência muito rica, intensa e, até, transformadora.
O evento é conhecido por antecipar tendências, especialmente em tecnologia, mas para mim, ele vai além disso, sendo um verdadeiro observatório do comportamento humano, fundamental e imperdível para profissionais envolvidos na gestão de talentos e estratégia corporativa.
Eu escolhi sessões das trilhas de 2050 (futurismo), da creator economy, Indústria de Tecnologia, me aventurei em um tema ou outro fora da caixa, e por atuar em uma posição global, voltada ao desenvolvimento de pessoas, cultura e engajamento corporativo, dediquei bastante tempo em sessões da trilha de Workplace, que discutiu a evolução contínua de como trabalhamos, desde espaços físicos e redefinição das expectativas até a execução de ambientes diversos, avaliando o impacto de tais mudanças tanto nos funcionários quanto dos empregadores.
Eu sempre me interessei por assuntos e práticas diversas, nos quais construí conhecimento e domínio, mas sem necessariamente aprofundamento. Eu gosto de cozinhar, sou uma surfista iniciante, e falo um francês “meia boca”. Essa característica por muito tempo me pareceu um aspecto a desenvolver – eu acreditava que deveria encontrar áreas para ser especialista, ser referência no assunto. Acontece que meu repertório diverso, e o pensamento crítico que desenvolvi ao longo dos anos com ajuda de alguns bons líderes, foi moldando uma profissional hábil em diferentes temas e com amplo conhecimento para atuar na resolução de problemas complexos e com nível de abstração. E por fim, não é que virei referência em alguns assuntos?
Meu repertório diverso, e o pensamento crítico que desenvolvi ao longo dos anos com ajuda de alguns bons líderes, foi moldando uma profissional hábil em diferentes temas
Escrevo isso com o objetivo de encorajar a busca por eventos e experiências que ampliem horizontes, eventos, podcasts, leituras e práticas não óbvias ou da sua área de atuação, pois sabemos que conhecimento é transferível. A inovação vem das conexões que fazemos. E se “Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, também nos negócios, soluções podem surgir de paralelos de coisas que já existem, e por vezes, vir de conexões incomuns.
Compartilho alguns insights que tive após ouvir e interagir com profissionais relevantes do mercado no SXSW, discutindo e compartilhando suas visões, tendências, e ideias do que está por vir.
Liderança
– Um líder que gerencia apenas através de entregas e resultados, ficou no passado. Em inúmeras sessões, foi trazida a importância da liderança com empatia e autenticidade, demonstrando interesse genuíno pelo bem estar e desenvolvimento das pessoas, cultivando conexões reais. Esse aspecto foi o que mais me chamou a atenção pois foi recorrente em diversas sessões.
– Líderes perfeitos não são reais, e a demonstração de vulnerabilidade com o uso de storytelling na conexão com o funcionário é valorizada.
– Líderes impactam mais a saúde mental e o bem estar dos funcionários do que seus médicos ou terapeutas, de forma que promover um ambiente de trabalho onde as pessoas se sintam vistas, reconhecidas e conectadas ao propósito é essencial.
Vivemos um Superciclo de Tecnologia
– Estamos imersos em um momento de avanço tecnológico impulsionado pela inteligência artificial, biotecnologia e internet das coisas, moldando profundamente nossa forma de viver e trabalhar.
– A demanda por inteligência artificial é motivada principalmente pela busca por velocidade e escalabilidade. Há preocupações sobre a segurança dos modelos de IA e a privacidade dos dados, o que torna essencial a responsabilização e a regulação das empresas por trás de tais tecnologias.
– Amy Webb compartilhou o conceito de FUD (Fear, uncertainty and doubt), para se referir ao medo, a incerteza e a dúvida que estão presentes em nossas vidas devido às rápidas mudanças tecnológicas.
Futuro do Trabalho
– Um grande receio, em um passado recente, era o quanto a inteligência artificial iria substituir a força de trabalho humana. O que está mais claro agora, é que a IA irá transformar a maneira como a muitas tarefas serão realizadas, e nosso desafio é utilizá-la para automatizar processos e liberar as pessoas para atividades mais significativas: as estratégicas e criativas.
– Trabalhar com flexibilidade agrega valor à experiência e a vida dos funcionários. O futuro do trabalho é sobre a escolha de onde trabalhar. Há estudos que sugerem, que momentos presenciais intencionais de teambuilding, se bem estruturados, têm efeitos positivos nos times que duram cerca de 4 meses.
– Reuniões são para resolver problemas e pensar criticamente. Precisamos encontrar novas estratégias para compartilhamento de informações e alinhamentos, tornando o ambiente mais produtivo.
Cultura Organizacional e Bem-estar
– A cultura organizacional desempenha um papel crucial no bem-estar e na produtividade dos funcionários. Se o ambiente de trabalho não permite que as pessoas sejam autênticas, elas terão menos conversas honestas e discussões menos produtivas.
– Ainda há desconexão entre discurso e prática sobre qualidade de vida nas empresas ao se recompensar pessoas que trabalham longas horas para atingir suas metas. Implementar práticas eficazes que promovam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é uma prioridade estratégica.
– O desafio das organizações deveria ser fazer com que as pessoas sintam-se melhor dentro das empresas do que na sociedade em geral, com ambientes inclusivos.
Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI):
– Apesar do reconhecimento da importância da diversidade, equidade e inclusão, há um movimento contra o tema no mercado, observado pelo desmonte das áreas em algumas empresas e/ou da redução de incentivos financeiros.
– A inteligência artificial pode ser uma ferramenta poderosa para identificar e mitigar preconceitos em processos de recrutamento e comunicação, mas é essencial que as organizações estejam comprometidas com a promoção de uma cultura inclusiva e equitativa.
O SXSW não apenas antecipa tendências e te faz experimentar um constante FOMO (Fear Of Missing Out) por todas as sessões que não conseguiu participar, mas te inspira e leva a reflexões profundas sobre o futuro do trabalho, liderança, cultura organizacional e sobre sua própria prática profissional.
*Formada em Psicologia pela UFF e com pós em Gestão Empresarial pela FGV, Mariana Mesquita atua há 15 anos criando estratégias e produtos para melhorar os resultados do negócio através do desempenho das pessoas.