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Por que estão falando tanto de… quit-tok

Por que estão falando tanto de… quit-tok

Muito distante do quiet quitting, a prática de publicar vídeos que mostram a própria demissão nas redes sociais ganhou popularidade entre a fatia mais jovem da atual força de trabalho. O quit-tok, trend que já soma muitos adeptos no TikTok, mostra como estamos diante de um novo perfil profissional – e um novo desafio para o RH.

A zona de desconforto por Guilherme Benchimol, da XP

O fundador da XP compartilhou seu olhar sobre RH e liderança no evento HR4results

Luiza Terpins
1 de agosto de 2022
Guilherme Benchimol, da XP: "Todo mundo precisa de uma zona de desconforto"
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Recentemente, Guilherme Benchimol, fundador da XP, chegou para uma reunião na empresa e perguntou quem dali usava TikTok. O time, na faixa de 35 anos, ficou em silêncio. “Eu disse que aquilo não podia. Tem que trabalhar a curiosidade, senão vira dinossauro”. 

A história foi contada por ele logo após ser questionado, em um dos palcos do evento HR4results, como faz para se reinventar. “Todo mundo precisa de uma zona de desconforto. As habilidades que você tem hoje podem não te levar ao estágio seguinte”, disse.

A seguir, confira alguns destaques do papo e como ele olha para a área de gente e gestão.

Avaliações

Na XP, as avaliações são quinzenais, chegam via push no celular e focam em dois pontos: capacidade de entrega de resultados e cultura. A periodicidade tem um motivo: “Em julho, você vai lembrar no máximo de maio. De janeiro, jamais”, diz.

Características importantes para profissionais de RH

  • Processos. “Já tive profissionais de RH bons de relacionamento, mas que não sabiam trabalhar com processo. Isso é o que faz com que todo mundo entenda as regras do jogo.”
  • Time de gente não comanda as áreas, ele influencia. “Tem que ter empatia para se conectar e saber mostrar que a área [do líder] pode ser melhor ainda. Empatia + processo é a combinação ideal.”
  • Se o CEO não empoderar a área, se achar que ela existe só para fazer festa de final de ano, a empresa não vai para frente. A área de gente é a mais importante de uma companhia, mas muitos empreendedores e CEOs ainda não enxergam dessa forma.

A área de gente é a mais importante de uma companhia, mas muitos empreendedores e CEOs ainda não enxergam dessa forma.

Cultura

Cultura vem de cima, é processo. Importante garantir pessoas que combinem e explicar os valores de maneira clara. Tem que treinar (e o líder treina junto com o time de gente). Não dá para deixar que alguém que não tenha a cultura da empresa suba na hierarquia.

Diversidade

Hoje eu entendo que diversidade é performance, mas nem sempre tive essa visão. Já fui machista, daqueles que pensam que é melhor e mais fácil contratar homens da mesma bolha. Eu errei pensando assim. Quando você junta gente com experiências de vida diferentes, a entrega é melhor. Vivências te fazem olhar as coisas de um jeito diferente.

Quando você junta gente com experiências de vida diferentes, a entrega é melhor.

Reinvenção

É preciso ter mente aberta se você quer avançar na vida. As habilidades que você tem hoje podem não te levar ao estágio seguinte. Eu sei que é difícil abandonar aquilo que você já faz bem. Eu, por exemplo, era um bom assessor de investimento, e tive que aprender para me transformar e ir além. Todo mundo precisa de uma zona de desconforto. Esses dias eu tive uma reunião com o pessoal da XP, que tem uma média de 35 anos de idade, e perguntei se eles usavam TikTok. Ninguém usava. Eu disse que aquilo não podia. Tem que trabalhar a curiosidade, senão vira dinossauro. Só avança quem navega mares nunca antes navegados.

Luiza Terpins é Editora de Cajuína e Líder de Conteúdo e Comunicação da Caju.