Líder global de diversidade, equidade e inclusão da Heineken, executiva destaca importância da área em meio a ano difícil; também VP de Pessoas da empresa no Brasil, ela reforça o peso do aspecto humano em meio à revolução da IA e pressão por resultados
Para padronizar os processos de venda de 21 empresas da área da saúde, companhia criou Academia de Vendas dentro da universidade corporativa; processo resolveu ‘dor’ a partir da escuta do time e fez colaboradores atingirem 113% de produtividade
Presente em 94 cidades brasileiras, iniciativa está ligada à alimentação, eixo de negócios da companhia; colaboradores passam por treinamento e têm carga horária específica para as ações voluntárias
Com quase 20 anos de carreira, executiva trafegou do financeiro ao RH em diferentes setores; na indústria farmacêutica, ela aposta em inovação e na cultura para gerar resultados
Há quatro anos na empresa responsável por gerir o McDonald’s no Brasil, executivo lidera agenda de inclusão e está cada vez mais interessado em atender os interesses de cada indivíduo – inclusive testando novos formatos de jornadas de trabalho
Responsável por cuidar tanto de pessoas quanto de tecnologia, vice-presidente da empresa de combustíveis e energia defende sinergia entre as áreas, entre uso de dados e preservação do aspecto humano da transformação
Levantamento feito pelo LinkedIn mostra que 54% dos profissionais deseja buscar uma nova posição no ano que se inicia; número está acima da média mundial e pode desafiar RHs tanto na retenção quanto na atração de talentos
Pioneira em divulgar dimensão do bem-estar que surge das relações sociais, autora canadense defende que conexão no trabalho é vital para gerar colaboração, resiliência, crescimento profissional e inovação
De span of control a span of intelligence: e se o futuro for menos sobre planejar a força de trabalho e mais sobre planejar a inteligência do trabalho?
O design organizacional deixou de ser uma pauta de suporte para se tornar um pilar central na estratégia de negócio.
Convidado Comp
21 de janeiro de 2026
Leia emminutos
Voltar ao
topo
*Bernardo Rodrigues
Recentemente, ao analisarmos as empresas participantes do nosso Prêmio de Maturidade, chegamos a uma conclusão reveladora: o tema Span of Control obteve, consistentemente, a nota média mais baixa de toda a avaliação. Esse dado, contudo, não é apenas uma estatística fria. Ele é um “grito silencioso” do mercado. Ele sinaliza que, em um mundo obcecado por agilidade, desenhar a arquitetura das equipes continua sendo o desafio mais complexo e menos resolvido para os líderes atuais.
Nas conversas de bastidores com CEOs e CHROs, a angústia é palpável e recorrente: “Como mensuro meus spans? O quanto um desenho errado me custa em velocidade?”.
A resposta curta? As metodologias de prateleira falharam, simplesmente porque não se adaptaram à evolução do mercado. Elas foram desenhadas para um mundo estático, pré-IA, onde hierarquia significava controle, não velocidade e que ignorou a dinâmica da nova economia.
O Fim da “Matemática Fria”
Por décadas, o RH perseguiu um “número mágico” de liderados por gestor. No entanto, enxergo que essa obsessão matemática ignora o fator mais crucial da gestão moderna: o contexto.
Não existe paridade entre um gestor em uma startup em hyper-growth, onde a autonomia é o oxigênio, e um gestor em uma reestruturação corporativa que exige controle granular. Da mesma forma, a musculatura necessária para liderar sprints curtos é radicalmente diferente daquela exigida para orquestrar projetos de longo prazo.
O mercado carece de uma abordagem que mescle o olhar quantitativo e qualitativo: a resposta não está na aritmética, está na nuance. A modernidade exige considerar aspectos como a expertise técnica do líder, a complexidade da entrega e, fundamentalmente, o nível de automação que já suporta aquela cadeira.
Foi essa busca por apresentar uma nova resposta às demandas do mercado com precisão contextual que nos levou a desenvolver uma metodologia proprietária de Span of Control Comp baseada em 12 critérios qualitativos. E, para estarmos à altura do nosso tempo, “embedamos” a metodologia em um IA Agent, treinando com um extenso apanhado de literatura acadêmica sobre Org Design e, crucialmente, com a forma de pensar do nosso time de Executivos de Remuneração (Comp Execs). Nós literalmente codificamos e nossa forma de pensar e colocamos lá dentro. O resultado é uma uma IA que atua como um consultor instantâneo, capaz de diagnosticar e recomendar spans com uma precisão que, manualmente, levaria dias — e a nossa IA entrega em instantes. Você encontra aqui, na aba de Relatórios.
A Ascensão da “Inteligência Híbrida”
Mas os dias atuais exigem além de resolver o span tradicional. O verdadeiro desafio está no horizonte imediato.
O mercado dá sinais claros de um período com foco excessivo em eficiência operacional. Contudo, a eficiência moderna não será alcançada apenas “fazendo mais com menos pessoas”. Ela será alcançada com inteligência.
Estamos assistindo à colisão inevitável entre o Workforce Planning e a Inteligência Artificial. A velha equação de headcount e número de cadeiras está incompleta sem os “Agentes”. Não estamos mais falando apenas de automação de tarefas, mas de um redesenho estrutural onde humanos e IAs operam em simbiose.
É para decodificar essa nova arquitetura que surge a necessidade de uma nova lente, capaz de ir além do óbvio e responder à provocação fundamental do nosso tempo: qual é o ponto de equilíbrio exato entre pessoas e tecnologia para escalar não a nossa força de trabalho, mas a nossa inteligência?
O Novo Paradigma: Span of Intelligence
Aqui reside nossa grande provocação: E se o futuro for menos sobre planejar a força de trabalho e mais sobre planejar a inteligência do trabalho?.
A liderança do futuro não gerenciará apenas pessoas. O líder será um orquestrador, capaz de reger uma combinação de inteligência humana criativa e capacidade de execução artificial em escala.
Isso altera a própria forma da pirâmide corporativa. À medida que a IA assume a base transacional, vemos uma tendência de seniorização das estruturas. A base se achata e a densidade de talento estratégico no topo aumenta. O gestor passa a ter um “braço direito” digital que amplia seu alcance sem diluir a qualidade.
O Futuro Já Chegou
Entender essa dinâmica não é exercício de futurologia, é instinto de sobrevivência.
O convite que fazemos ao mercado é para ajustar as lentes: pare de olhar apenas para quantas pessoas cabem em uma equipe e comece a olhar para quanta inteligência aquela equipe pode gerar. O imperativo é abandonar o “controle” pelo controle e abraçar o design intencional.
Afinal, sua estrutura organizacional está desenhada para controlar pessoas ou para otimizar inteligência?
*Bernardo Rodrigues é Compensation Executive na Comp. Possui mais de 14 anos de experiência em RH e Remuneração, com passagens em grandes empresas de tecnologia e varejo, ocupando cadeiras de liderança e de especialista no tema. Também atua como mentor e facilitador de ensino em temas relacionados a área de RH e remuneração.