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Por que estão falando tanto sobre… o novo retrato do RH brasileiro

Dados de uma nova pesquisa da ABRH Brasil mostram cenário de transformações em curso; trabalho presencial volta a ser maioria, enquanto uso de IA avança rapidamente.

Bruno Capelas
19 de maio de 2026
Capa do artigo Por que estão falando tanto sobre… o novo retrato do RH brasileiro
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O que você precisa saber

Realizada pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), em parceria com a Umanni, a nova edição da pesquisa O Cenário do RH no Brasil mostra mudanças importantes nas prioridades das empresas brasileiras na gestão de pessoas.

Com cerca de 900 respondentes de todas as regiões do País, a quinta edição do levantamento traz dados que ajudam a explicar por que temas como trabalho presencial, inteligência artificial, confiança nas lideranças e diversidade voltaram ao centro das discussões nas empresas.

Um dos principais movimentos aparece no regime de trabalho. Em 2025, o modelo 100% presencial passou a representar 56,5% das empresas, enquanto o híbrido caiu para 38,6% e o remoto ficou em apenas 4,9%. Em 2024, presencial e híbrido apareciam praticamente empatados.

O levantamento também aponta queda na adesão à jornada de quatro dias, tendência que vem sendo debatida há alguns anos. O percentual de empresas que adotam esse modelo caiu de 9,7% para 5,2%, enquanto o interesse em implementar novos projetos também diminuiu.

Na tecnologia, a inteligência artificial avança rapidamente: 61,2% das áreas de RH já utilizam IA em alguma medida, sendo 44,7% em aplicações pontuais e 16,5% em uso mais estruturado. Ao mesmo tempo, houve redução no uso de sistemas tradicionais de automação em áreas como recrutamento, treinamento, folha de pagamento e avaliação de desempenho.

A pesquisa ainda chama atenção para desafios ligados à convivência geracional, diversidade e liderança. Segundo os dados, 42% das empresas não possuem iniciativas voltadas à integração entre gerações, enquanto caiu o número de organizações que afirmam confiar plenamente no preparo de suas lideranças.

Além disso, iniciativas relacionadas à equidade racial e à pauta de diversidade sexual perderam espaço em relação ao ano anterior. O número de empresas com frentes dedicadas à equidade racial caiu de 19,0% para 10,2%, enquanto iniciativas voltadas à população LGBTQIAPN+ recuaram de 21,4% para 12,2%.

O que isso significa para o RH

Os dados ajudam a desenhar um retrato de transição dentro das áreas de Recursos Humanos.

Depois de anos marcados por experimentações aceleradas, impulsionadas principalmente pela pandemia e pela digitalização, muitas empresas parecem agora adotar uma postura mais cautelosa. O retorno do presencial e a queda no interesse pela jornada de quatro dias indicam uma busca maior por modelos considerados mais previsíveis e fáceis de administrar.

Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial mostra que a transformação tecnológica continua em curso, mas de forma diferente daquela observada nos últimos anos. Em vez de grandes plataformas complexas, os dados sugerem um movimento em direção a ferramentas mais flexíveis, simples e integradas ao cotidiano das equipes.

A pesquisa também indica que os desafios humanos seguem no centro das preocupações corporativas. A dificuldade de integração entre gerações, a redução da confiança plena nas lideranças e o recuo em iniciativas de diversidade sugerem empresas pressionadas por eficiência. 

Outro ponto importante envolve a preparação para novas exigências regulatórias, como a NR-1 – na pesquisa, cujos dados foram colhidos em agosto do ano passado, apenas uma em cada quatro empresas se dizia totalmente preparada para as novas regras de saúde mental. 

No fim das contas, o levantamento aponta para um RH menos focado em tendências passageiras e mais preocupado em reorganizar estruturas, ganhar eficiência e responder às pressões de um ambiente corporativo cada vez mais complexo.

Bruno Capelas é jornalista. Foi repórter e editor de tecnologia do Estadão e líder de comunicação da firma de venture capital Canary. Também escreveu o livro 'Raios e Trovões – A História do Fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum'.