Com mais de 30 anos de experiência no RH, executiva se especializou em lidar com transições e mudanças, mas diz que ainda espera ver muita transformação na área.
A expressão do momento, aquela tendência que acabou de chegar ao mercado, uma notícia que tem chamado atenção, uma trend que viraliza nas redes ou até uma nova regulamentação. Se o tema está quente, é melhor não ficar para trás. Mas nem sempre conseguimos acompanhar tudo o que tem acontecido no mundo do RH.
A roda gira, e às vezes bem rápido. Esta seção de Cajuína traz os assuntos mais frescos do universo de quem trabalha com gente.
Na pauta desta semana, vamos falar sobre… uma nova pesquisa que mostra como o RH brasileiro segue vivendo transformações e revendo suas prioridades.
Realizada pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), em parceria com a Umanni, a nova edição da pesquisa O Cenário do RH no Brasil mostra mudanças importantes nas prioridades das empresas brasileiras na gestão de pessoas.
Com cerca de 900 respondentes de todas as regiões do País, a quinta edição do levantamento traz dados que ajudam a explicar por que temas como trabalho presencial, inteligência artificial, confiança nas lideranças e diversidade voltaram ao centro das discussões nas empresas.
Um dos principais movimentos aparece no regime de trabalho. Em 2025, o modelo 100% presencial passou a representar 56,5% das empresas, enquanto o híbrido caiu para 38,6% e o remoto ficou em apenas 4,9%. Em 2024, presencial e híbrido apareciam praticamente empatados.
O levantamento também aponta queda na adesão à jornada de quatro dias, tendência que vem sendo debatida há alguns anos. O percentual de empresas que adotam esse modelo caiu de 9,7% para 5,2%, enquanto o interesse em implementar novos projetos também diminuiu.
Na tecnologia, a inteligência artificial avança rapidamente: 61,2% das áreas de RH já utilizam IA em alguma medida, sendo 44,7% em aplicações pontuais e 16,5% em uso mais estruturado. Ao mesmo tempo, houve redução no uso de sistemas tradicionais de automação em áreas como recrutamento, treinamento, folha de pagamento e avaliação de desempenho.
A pesquisa ainda chama atenção para desafios ligados à convivência geracional, diversidade e liderança. Segundo os dados, 42% das empresas não possuem iniciativas voltadas à integração entre gerações, enquanto caiu o número de organizações que afirmam confiar plenamente no preparo de suas lideranças.
Além disso, iniciativas relacionadas à equidade racial e à pauta de diversidade sexual perderam espaço em relação ao ano anterior. O número de empresas com frentes dedicadas à equidade racial caiu de 19,0% para 10,2%, enquanto iniciativas voltadas à população LGBTQIAPN+ recuaram de 21,4% para 12,2%.
Os dados ajudam a desenhar um retrato de transição dentro das áreas de Recursos Humanos.
Depois de anos marcados por experimentações aceleradas, impulsionadas principalmente pela pandemia e pela digitalização, muitas empresas parecem agora adotar uma postura mais cautelosa. O retorno do presencial e a queda no interesse pela jornada de quatro dias indicam uma busca maior por modelos considerados mais previsíveis e fáceis de administrar.
Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial mostra que a transformação tecnológica continua em curso, mas de forma diferente daquela observada nos últimos anos. Em vez de grandes plataformas complexas, os dados sugerem um movimento em direção a ferramentas mais flexíveis, simples e integradas ao cotidiano das equipes.
A pesquisa também indica que os desafios humanos seguem no centro das preocupações corporativas. A dificuldade de integração entre gerações, a redução da confiança plena nas lideranças e o recuo em iniciativas de diversidade sugerem empresas pressionadas por eficiência.
Outro ponto importante envolve a preparação para novas exigências regulatórias, como a NR-1 – na pesquisa, cujos dados foram colhidos em agosto do ano passado, apenas uma em cada quatro empresas se dizia totalmente preparada para as novas regras de saúde mental.
No fim das contas, o levantamento aponta para um RH menos focado em tendências passageiras e mais preocupado em reorganizar estruturas, ganhar eficiência e responder às pressões de um ambiente corporativo cada vez mais complexo.
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