Com mais de 25 anos de experiência na área de Pessoas, diretora de capital humano da empresa de outsourcing fala sobre trajetória, educação corporativa e visão de futuro; para ela, desafio do RH é criar equilíbrio entre desejos dos colaboradores e sustentabilidade do negócio.
Considerado o pai do RH moderno e responsável pela criação do termo business partner, professor americano atualiza teoria para tempos de IA, eficiência e incerteza; em passagem pelo Brasil, especialista reforçou visão pragmática, sem deixar de lado o aspecto humano.
Empresa brasileira de engenharia submarina possui mais de 900 colaboradores trabalhando embarcados, cenário em que cuidado com a saúde mental é essencial; em programa da companhia, psicólogos ministram palestras e fazem atendimentos individuais nos navios.
Entenda tudo sobre MBA: o que ele realmente é, como escolher o programa certo, o que muda para o Executive MBA e os objetivos de cada um. A diferença entre eles impacta o desenho do programa, a dinâmica de aprendizado em sala e a forma de conciliar estudos, trabalho e vida pessoal.
Estudos recentes do LinkedIn mostram que mulheres entram no mercado de trabalho em condições mais próximas às dos homens, mas as diferenças nas promoções e na remuneração tendem a se ampliar ao longo do tempo, inclusive no Brasil.
Novo estudo reforça o quanto a discussão atualmente não está mais em se as organizações devem utilizar a tecnologia, mas sim como a inovação deve ser usada no ambiente corporativo.
Criado em 2024, programa Caixa em Movimento tem mais de 56 mil colaboradores cadastrados e mostra redução significativa nos índices de absenteísmo; incentivo a exercício também faz parte de plataforma para cuidados com saúde física e mental.
Vice-presidente de RH, desenvolvimento organizacional e sustentabilidade da companhia de infraestrutura reforça papel estratégico do RH, gerando negócios sem perder o olhar humano; em entrevista, executiva também fala sobre trajetória, desafios de cultura e IA.
Com 20 anos de carreira e experiência internacional nos EUA e na Europa, executivo vê RH com o papel de tradutor, seja entre diferenças culturais ou entre áreas do negócio; para Arroyo, maior desafio da área está na atração de talentos
Brasil registra 267 mil afastamentos por saúde mental no 1º semestre de 2025, mantendo curva de alta
Entre janeiro e junho, mais de 267 mil brasileiros precisaram se afastar do trabalho por transtornos mentais. O tema ganha ainda mais urgência após o Setembro Amarelo e exige que os líderes de RH olhem para os dados com atenção ao longo de todo o ano.
Jonatan Rodrigues
30 de setembro de 2025
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Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a um crescimento preocupante nos afastamentos do trabalho por questões de saúde mental. Os dados do INSS e do Ministério da Previdência Social mostram que, somente no primeiro semestre de 2025, 267.690 afastamentos foram concedidos aos trabalhadores. Todos precisaram recorrer ao Auxílio Doença Previdenciário por motivos ligados a transtornos mentais e comportamentais.
Os números reforçam uma tendência já apontada em 2024, quando o país bateu recordes históricos nesse tipo de benefício. Como revelaram reportagens do G1, foram 472.328 licenças concedidas, número que representa um crescimento de 68% comparado com o ano anterior. Esse é o recorde desde o começo das medições, em 2014, como mostra o gráfico:
Quando os dados são tão alarmantes, a pauta deixa de ser apenas estatística. Ela se conecta diretamente ao bem-estar dos trabalhadores, à produtividade das empresas e ao papel estratégico da área de Recursos Humanos.
Na Caju, acreditamos que os dados devem ser ponto de partida para a ação. Por isso, a Cajuína, frente de inteligência e conteúdo da Caju, inaugura com este artigo uma nova série de conteúdos que analisa dados públicos, conta histórias e gera insights para qualquer profissional de RH, áreas de gente e gestão e lideranças.
Acompanhar essa série significa ter acesso a uma leitura mais profunda sobre como os números do Brasil dialogam com a realidade das empresas. Neste primeiro artigo, vamos falar sobre:
O retrato dos afastamentos por saúde mental em 2025;
Quais são as doenças que mais afastam trabalhadores;
Por que é urgente olhar para esse fenômeno com profundidade não apenas durante o Setembro Amarelo, mas em todos os meses do ano.
Esse total do primeiro semestre representa 56,7% do total de afastamentos registrados em 2024. Ou seja, podemos dizer que já é 6,7% acima da metade dos afastamentos de 2024, o que significa +31.526 casos.
Esse volume também representa uma das maiores parcelas dentro do conjunto de dados dos últimos 12 anos. O número de um único semestre já supera o que foi registrado ao longo de anos inteiros entre 2014 e 2022.
Vale lembrar: cada diagnóstico de afastamento é classificado pelo CID, elaborado pela OMS para padronizar a identificação de enfermidades no mundo todo. Os transtornos mentais estão listados no Capítulo V (F00–F99), que inclui desde quadros depressivos e ansiosos até transtornos do desenvolvimento psicológico (a lista completa pode ser consultada neste link do DATASUS).
As doenças que mais afastam
Os números gerais já confirmam que a saúde mental segue como um dos principais fatores de afastamento laboral no país em 2025. Mas quais são as doenças específicas relacionadas à saúde mental que mais impactam os profissionais?
Na lista de doenças que mais concederam auxílio doença por conta de transtornos mentais e comportamentais em 2025, o ranking das 10 principais segue o mesmo de 2024. São mais de 70 transtornos diferentes relacionados à saúde mental que geraram afastamento do trabalho, mas as 10 principais somadas representam 249.416 casos, o que representa 93,2% do total.
A análise por categorias do CID mostra os seguintes destaques no 1º semestre de 2025:
F41 – Transtornos ansiosos: a doença que lidera o ranking é Ansiedade, com mais de 80 mil casos apenas no 1º semestre de 2025. Sozinha ela representa 30% do total de casos. Dentro desse grupo, os subtipos mais comuns em todos os meses do levantamento são sempre o Transtorno misto ansioso e depressivo (F41.2) e Ansiedade generalizada (F41.1);
F32 – Episódios depressivos: foram mais de 62 mil casos, mantendo-se como uma das maiores causas de afastamento. Vale destacar que na 4ª posição das doenças que mais geraram afastamentos em 2025 está o Transtorno depressivo recorrente (F33), que se somada aos Episódios depressivos chega a 92.901 casos;
F31 – Transtorno afetivo bipolar: são mais de 30 mil casos.
Todas as 10 principais doenças já alcançaram mais de 50% do número registrado ao longo de todo o ano de 2024, reforçando essa tendência de crescimento em 2025. Aquelas com maior percentual são Esquizofrenia (F20), que já registrou 62,1% do total de casos de 2024, Transtornos específicos da personalidade (F60), que registrou 60,7%, e Transtorno afetivo bipolar (F31) com 58,6%.
Comparação com 2024: a curva que não desacelera
As comparações com os dados de 2024 deixam claro que a curva de afastamentos não está desacelerando. Pelo contrário: os volumes seguem elevados e a lista das principais doenças pouco se altera.
Se continuar com esse padrão de volume de afastamentos no 2º semestre (crescimento de 6,7% por semestre), a tendência é fechar o ano de 2025 com crescimento de 13,4% vs 2024, o que representa um aumento de +63 mil casos de afastamentos por saúde mental.
Confirmando esse resultado, vamos alcançar a marca de 535 mil afastamentos por saúde mental no final do ano, superando a marca do meio milhão pela 1ª vez na série histórica. Isso mostra que não se trata de um fenômeno pontual, mas de uma realidade persistente no mercado de trabalho brasileiro.
Vale destacar também que, nesse primeiro semestre de 2025, os afastamentos por saúde mental representam 13,9% do total de auxílios doença entregues pelo governo brasileiro. Em 2024 esse percentual de representatividade foi de 13,5%.
Por que esse debate é urgente para empresas e RH?
A crise de saúde mental no trabalho não é um tema exclusivo do Setembro Amarelo. Ela impacta diretamente a produtividade, os custos com absenteísmo e rotatividade, e a sustentabilidade das empresas a longo prazo.
Essa urgência existe porque cada número representa uma pessoa afastada, uma equipe impactada e um custo que poderia ser mitigado com políticas consistentes de bem-estar, prevenção e apoio psicológico.
Para os líderes de RH e áreas de Gente e Gestão, olhar para esses dados significa:
Reconhecer o tamanho do problema: milhares de trabalhadores estão afastados por condições que poderiam ser mitigadas com políticas preventivas;
Entender onde agir primeiro: ansiedade e depressão aparecem, consistentemente, como principais causas;
Transformar informação em ação: criar programas de apoio psicológico, benefícios de bem-estar e saúde que favoreçam o equilíbrio emocional, e políticas de gestão de pessoas que priorizem a saúde mental.
Se a curva de crescimento não desacelerar, teremos em 2025 mais um recorde histórico. A questão é: o que vamos fazer a respeito?
Jonatan Rodrigues é apaixonado por números, gráficos e por escrever. Tem como foco tirar insights e contar histórias através dos dados e desenvolver projetos que lhe permitam enxergar as histórias que os números contam.