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Por que estão falando tanto de… quit-tok

Por que estão falando tanto de… quit-tok

Muito distante do quiet quitting, a prática de publicar vídeos que mostram a própria demissão nas redes sociais ganhou popularidade entre a fatia mais jovem da atual força de trabalho. O quit-tok, trend que já soma muitos adeptos no TikTok, mostra como estamos diante de um novo perfil profissional – e um novo desafio para o RH.

Trajetória e carreira com Luiza Lima, do Mercado Livre

Com passagens pela FedEX, Ambev e Localiza, a mineira de Belo Horizonte já estagiou no Bolsa Família e atualmente é Talent Acquisition Manager no Mercado Livre

Lidiane Faria
11 de abril de 2022
"Me tornei uma líder melhor na pandemia": um papo com Luiza Lima, Talent Acquisition Manager no Mercado Livre
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Foi durante o ensino médio que Luiza Lima, 32, mineira de Belo Horizonte, descobriu que queria fazer algo relacionado a pessoas. Ao entrar na faculdade de Administração de Empresas na PUC Minas, logo conseguiu um estágio no Bolsa Família, onde era responsável pelas entrevistas de seleção do programa. Depois, passou pela FedEx, Localiza e Ambev, empresa onde se desenvolveu como RH.

A seguir, ela compartilha sua trajetória, inspirações e desafios na área:

Como foi o início da sua carreira?

Após estagiar na Bolsa Família, consegui um estágio na Rapidão Cometa – atual FedEX. Ali, entendi que teria aprendizados em todos os aspectos (até na organização de arquivos!) e fui efetivada. Era responsável por organizar desde a contratação de pessoas até os treinamentos. Também foi minha primeira grande experiência em recrutamento e seleção. Ligava para os candidatos até de madrugada. Neste período, a profissão não era tão valorizada, e tanto a minha família como alguns professores diziam isso. Tentei algo no financeiro, mas entendi que realmente minha missão era estar com pessoas. Aí surgiu a oportunidade de fazer parte do time Ambev, onde me desenvolvi muito e fui indicada para o cargo de Sucessores, um projeto interno de preparação da liderança. Dali, me tornei coordenadora de RH em Ipatinga (MG). 

Quais foram os principais desafios neste período?

Quebrei muitos paradigmas junto ao meu time e criamos uma operação nos três primeiros meses. Recrutamos pessoas e parceiros e tivemos que olhar até para segurança do trabalho. Quando a implementação começou, fui promovida para Gerente de RH, com uma movimentação para o Espírito Santo e cinco operações sob minha responsabilidade.

Reduzimos 10% do turnover, aumentamos o engagement em 15% e logo em seguida meu gestor me convidou para ser Especialista em Gente. Foi um desafio e fui com frio na barriga, pois meu foco sempre esteve voltado para gestão. Ali, fiquei dois anos responsável por clima, turnover, recrutamento de lideranças e treinamentos. Depois, fui para Jaguariúna (SP) olhar para toda a operação brasileira.

Com muita humildade, tive que aprender muitas disciplinas diferentes, e tenho orgulho do que construímos, como por exemplo o primeiro processo de trainee sem viés. Foi também a primeira vez que a empresa bateu suas metas e manteve a retenção de pessoas com deficiência.

Quais são as áreas que mais te encantam?

Uma das áreas que mais amo é tecnologia em RH, porque sempre observo como podemos melhorar a experiência do candidato. Na Localiza, por exemplo, criamos um portal para que o candidato pudesse entender em qual etapa estava, consultar suas notas de teste, feedbacks etc. Geramos mais transparência no processo.

No início, era responsável por 1.700 candidatos por ano. Depois, com o recrutamento centralizado de todas as filiais, aumentamos nosso desafio – e também saí de uma equipe de 7 para 25 pessoas.

O que mudou para você na pandemia?

Percebo que me tornei uma líder melhor. Antes, era centralizadora, e com o home office você precisa pensar em outros formatos. Pra mim, foi uma conquista pessoal.

Estamos em um momento em que você precisa cuidar das pessoas, lidar com as emoções e, ao mesmo tempo, entregar resultados. Então, busquei ações para aproximar o time, happy hours de autoconhecimento, meditação, troca de experiências e até mesmo ginástica laboral.

Você também utiliza ferramentas e metodologias com seu time?

Muito. Utilizo fluxogramas e mapas de processo. Para o desenvolvimento do site de carreiras, por exemplo, sentávamos junto com o Scrum Master e o Product Owner e desenhávamos juntos tudo no Miro. Levei também a prática do Design Thinking para o meu time. Todos desenharam um protótipo, mapa de processos de recrutamento e seleção para identificar falhas.

Mapa de riscos, pesquisas, dados qualitativos e quantitativos também estão sempre no meu dia a dia, assim como Matriz GUT, matriz RACI e metodologia ágil. O desenho de personas também é fundamental dentro do processo de seleção.

E, na dúvida, back to basics: uma boa matriz PDCA sempre nos ajuda a identificar o que precisa ser feito. Sempre que você fizer uma apresentação, pense na matriz PDCA. Ela te ajuda a ter uma boa linha de raciocínio e a entender qual é a narrativa que precisa ser construída.

E como você chegou ao Mercado Livre?

Recebi uma ligação para participar do processo seletivo e fiquei muito feliz, já que era uma das empresas que eu tinha muita vontade de fazer parte. Atualmente, nosso time precisa entender quem é o nosso público e quais são os nossos concorrentes. Veja só: saímos de 1.000 funcionários em 2019 para 12.000 só na logística. Crescemos muito e ainda estamos aprendendo novos formatos para expandir ainda mais.

No meu desafio atual, lidero 5 supervisores. Todos têm habilidades diferentes e é fundamental entender essa individualidade. Neste momento, moro nos Estados Unidos para desenvolver meus estudos de inglês. A empresa me proporcionou essa flexibilidade e isso também fez toda a diferença.

E quais são os desafios neste momento?

Estou responsável por três Estados e novas operações. Nosso NPS está sendo implementado e estou mapeando todos os processos de RH para melhorar a experiência do candidato e da equipe. A meta do Mercado Livre é também focar em ter mulheres (52%) e pessoas pretas (48%) na liderança, estamos muito dedicados a esta missão.

Como manter a cultura viva em tempos de trabalho remoto e híbrido?

Sem dúvidas, reforçar o que você fala e o que você pratica. Gosto de a cada ação lembrar as práticas e os itens da nossa cultura. Se somos empreendedores, por exemplo, buscamos sempre novas soluções, olhamos para o negócio. 

O que tem lido ou escutado para se inspirar? Quais são as pessoas que você acompanha?

Adoro estudar e entender mais sobre gerações. No meu time atual, por exemplo, tenho uma pessoa de 45 e outra de 30 anos – cada uma, claro, com seu desejo e suas necessidades. O livro As 5 linguagens do amor, de Gary Chapman, apesar de não ser focado no corporativo, fala sobre isso. Também gosto de assuntos relacionados à Marca Empregadora, e para isso leio bastante as publicações da Suzie Clavery, autora do livro “Isso é employer branding?!

Outra pessoa que me inspirou muito foi a Gisele Bündchen, com seu livro Aprendizados: Minha caminhada para uma vida com mais significado. Ali, ela trouxe os desafios de seu trabalho e lições para tornar a vida mais leve. Atualmente, tenho a sorte de ter um gestor incrível também e que me inspira muito, o Hugo Arouca.

O que todo RH precisa saber?

A gente precisa entender que as pessoas são únicas, cada uma tem uma necessidade diferente. Olhe para as pessoas individualmente.

Lidiane Faria é graduada em Relações Públicas e pós-graduada em Jornalismo. Tem experiência em startups de tecnologia, consultorias e emissoras de TV e adora ouvir pessoas incríveis.