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Por que estão falando tanto sobre… os brasileiros quererem mudar de emprego em 2026

Levantamento feito pelo LinkedIn mostra que 54% dos profissionais deseja buscar uma nova posição no ano que se inicia; número está acima da média mundial e pode desafiar RHs tanto na retenção quanto na atração de talentos

Bruno Capelas
28 de janeiro de 2026
Leia emminutos
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O que você precisa saber

Uma nova pesquisa global divulgada pelo LinkedIn revela que 54% dos profissionais brasileiros pretendem buscar um novo emprego em 2026. O percentual supera a média mundial de 52% e indica um movimento de forte insatisfação ou busca por novos desafios no mercado de trabalho. 

Realizado com mais de 19 mil profissionais, o levantamento também mostra que o Brasil está entre os países com maior autopercepção de preparo para essa transição de carreira. Segundo o estudo, 37% dos entrevistados se dizem prontos para enfrentar essa mudança, mesmo em um cenário que muitos profissionais consideram mais competitivo.

A pesquisa destaca desafios como concorrência mais acirrada e processos seletivos mais exigentes, com 63% dos entrevistados afirmando que encontrar uma nova vaga se tornou mais difícil no último ano. Enquanto isso, especialistas ouvidos pelo LinkedIn interpretam esses dados como parte de uma transformação mais ampla na forma como profissionais pensam suas trajetórias. Nesse contexto, mobilidade, atualização de habilidades e uso de tecnologia – incluindo inteligência artificial para customização de currículos e identificação de oportunidades – ganham peso cada vez maior.

O levantamento aponta ainda dois pontos sobre as intenções de carreira dos brasileiros em 2026. O primeiro é o ritmo de transição: mais da metade dos profissionais manifesta a intenção de mudar de emprego no próximo ano, acima da média global. Isso sinaliza um mercado de trabalho em que boa parte dos trabalhadores não está satisfeita com sua posição atual ou vê melhores perspectivas fora do seu emprego atual.

O segundo fato é a percepção de preparo. Apesar do cenário desafiador, o Brasil lidera entre os países analisados em termos de profissionais que se sentem prontos para uma mudança de carreira, sugerindo que parte significativa dos trabalhadores se sente confiante em suas competências para buscar novas oportunidades. Essa confiança pode estar relacionada ao maior uso de ferramentas digitais e de inteligência artificial para impulsionar carreiras – algo que a própria pesquisa do LinkedIn identificou como tendência crescente no país.

Ao mesmo tempo, o estudo mostra que a busca por emprego mais rapidamente pode estar associada a percepções de que as experiências de seleção são mais longas e impessoais, com muitos candidatos relatando dificuldade de obter feedback ou clareza sobre como a tecnologia é usada nos processos seletivos. Esses fatores afetam a experiência de quem busca recolocação e podem influenciar a decisão de mudar de emprego.

O que isso significa para o RH

Para quem trabalha com recursos humanos, os dados trazem vários desafios e oportunidades. A intenção de mudança de emprego de mais de metade dos profissionais implica que retenção de talentos e engajamento tendem a ser prioridades estratégicas em 2026. 

Políticas de desenvolvimento de carreira, planos de sucessão e programas de capacitação podem ser diferenciais para manter talentos, especialmente em setores em que a competição por talentos é intensa.

Ao mesmo tempo, a percepção de que os processos seletivos tornaram-se mais difíceis e impessoais aponta para a necessidade de revisão das práticas de recrutamento. A adoção de tecnologia, incluindo ferramentas de IA, pode ser uma vantagem, mas precisa ser equilibrada com transparência e humanização para melhorar a experiência do candidato e evitar frustrações.

O amplo interesse pela transição de carreira também sugere que profissionais de RH precisam olhar além de pacotes de benefícios tradicionais. 

Mais do que nunca, em 2026 será preciso pensar em estratégias que integrem desenvolvimento de habilidades, aprendizado contínuo e flexibilidade de carreira, reconhecendo que as aspirações dos trabalhadores podem estar mudando, alinhadas a novas expectativas sobre trabalho, propósito e equilíbrio.

Bruno Capelas é jornalista. Foi repórter e editor de tecnologia do Estadão e líder de comunicação da firma de venture capital Canary. Também escreveu o livro 'Raios e Trovões – A História do Fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum'.