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Por que estão falando tanto de… quit-tok

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Meu Feedback: Robson Privado, da MadeiraMadeira

Único dos três fundadores da MadeiraMadeira a ter experiência no mundo corporativo, Robson aprendeu lições que o fizeram ser um líder melhor na hora de empreender

Bruno Capelas
31 de outubro de 2022
Meu Feedback: Robson Privado, da MadeiraMadeira
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Muito antes de ser um dos fundadores da MadeiraMadeira, Robson Privado teve duas experiências profissionais relevantes. Durante a faculdade, ele empreendeu no universo de academias. Depois que o negócio não deu certo, o paranaense decidiu ir trabalhar no mundo corporativo – prestou o programa de trainee da LeroyMerlin e, meses depois, foi efetivado como gerente comercial na varejista. 

Mais do que apenas uma linha do currículo, a experiência de Robson na companhia francesa lhe trouxe lições valiosas sobre como expor suas opiniões, ideias e planos em um time. “Ali, eu entendi que, por mais que eu pudesse ter a melhor ideia do mundo, o quando e o como falar são aspectos muito importantes”, diz o cofundador e diretor de operações da MadeiraMadeira. Para Cajuína, ele relembra esse feedback importante que teve e como isso moldou sua carreira nos anos seguintes. 

“Lembro bastante de um feedback que eu tive do meu primeiro chefe. É engraçado, porque eu fui empreendedor durante cinco anos e só depois, quando me formei na faculdade, é que fui para o mundo corporativo. Eu entrei como trainee na LeroyMerlin, e depois que acabou o processo, acabei sendo efetivado como gerente. Estava há uns quatro meses lá quando meu chefe me chamou para uma conversa e disse o seguinte: ‘Robson, suas ideias são ótimas, você é muito estruturado, mas é importante saber quando e como você deve levar essas ideias para as pessoas, senão você acaba se atropelando’. 

Aquilo me marcou muito: eu sou muito enérgico e ansioso, mas me fez refletir, porque ele falou comigo sobre a perspectiva do receptor. Eu entendi ali que, por mais que eu pudesse ter a melhor ideia do mundo, o quando e o como falar são aspectos muito importantes. As pessoas têm que entender para que você consiga a atenção delas; elas têm que achar aquilo importante para comprar a ideia. Senão, vai ser só algo que vai ser feito porque o chefe está mandando, e isso não funciona – especialmente em ambientes menos hierárquicos. Ali, eu entendi que eu não podia ser um ‘tratorzão’, que eu precisava escutar mais do que eu falava. Eu sempre falava sobre tudo, sempre queria dar opinião, e embora pudesse estar certo, eu não dava espaço para as outras pessoas.

Eu entendi ali que, por mais que eu pudesse ter a melhor ideia do mundo, o quando e o como falar são aspectos muito importantes.

Foi uma das principais coisas que eu aprendi na LeroyMerlin, que foi uma escola para mim. Sei que eu sou um empreendedor muito melhor hoje porque tive uma experiência corporativa. Eu sempre tive a visão de dono, mas quando fui para a Leroy, pude entender como era a vida de um executivo, celetista, em uma empresa que ele não é sócio.

Aqui na MadeiraMadeira, o Daniel e o Marcelo empreenderam desde cedo, nunca tiveram experiência corporativa, e essa experiência me ajudou a conectar e entender os executivos que nós contratamos ao longo da jornada da empresa. São duas cabeças bem diferentes, em questão de evolução de carreira e tomada de decisões, e foi muito importante saber como lidar com isso quando começamos a ter outros C-Levels. Mas tudo isso veio lá da LeroyMerlin, daquele primeiro feedback.”

Bruno Capelas é jornalista. Foi repórter e editor de tecnologia do Estadão e líder de comunicação da firma de venture capital Canary. Também escreveu o livro 'Raios e Trovões – A História do Fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum'.