Busque por temas

Em alta

HR Tech 2026: a inteligência artificial está mudando o trabalho e as lideranças precisam fazer parte dessa transformação

Diretora de Gente e Cultura do Grupo Panvel compartilha reflexões do HR Tech Conference 2026, em Las Vegas, sobre como a inteligência artificial redesenha o trabalho e exige que as lideranças protagonizem a transformação

Redação
6 de novembro de 2026
Capa do artigo Borogodó do HR Tech
Leia emminutos
Voltar ao topo

*Por Lívia Garcia Sales Moraes, Diretora de Gente e Cultura do Grupo Panvel

Participar do HR Tech Conference 2026, em Las Vegas, me trouxe uma reflexão que vai além das novas ferramentas: precisamos dedicar mais atenção ao que a inteligência artificial muda na forma como organizamos o trabalho, desenvolvemos pessoas e exercemos a liderança.

Entre as experiências apresentadas, uma discussão apareceu com força: adotar IA exige olhar para as atividades, questionar processos e decidir como combinar tecnologia, capacidades humanas e necessidades do negócio.

Lições da Salesforce: IA e o redesenho do trabalho

No caso apresentado pela Salesforce, a inteligência artificial está associada ao redesenho do trabalho, à requalificação e à realocação de profissionais. O que considero mais relevante é a mudança de perspectiva. Quando determinadas tarefas passam a ser realizadas de outra forma, precisamos entender como os papéis evoluem e preparar as pessoas para essa transição.

Essa discussão precisa chegar à rotina das lideranças. Ao organizar um time, quais atividades podem ser apoiadas ou executadas pela IA? Quais exigem julgamento, sensibilidade e presença humana? E como aproveitar a capacidade liberada para melhorar a experiência do cliente, desenvolver pessoas ou resolver problemas do negócio?

As respostas exigem conhecer o trabalho de perto. Também exigem disposição para rever práticas que, muitas vezes, continuam existindo simplesmente porque sempre foram feitas daquele jeito.

Mobilidade interna, cultura e o RH como arquiteto da transformação

Outra experiência que me chamou a atenção foi a compartilhada pela TIAA, com o uso de perfis de carreira e informações sobre habilidades para ampliar a visibilidade de oportunidades e fortalecer a mobilidade interna.

O ponto mais relevante, para mim, é conectar aquilo que as pessoas sabem fazer, o que desejam desenvolver e as oportunidades que existem dentro da organização. Isso amplia a conversa sobre carreira e nos provoca a olhar para os talentos que já temos, inclusive para capacidades que o cargo atual nem sempre permite enxergar.

Mas a tecnologia depende de uma cultura que favoreça esse movimento. A liderança precisa apoiar o desenvolvimento e a circulação de talentos, mesmo quando isso significa liberar alguém importante do próprio time. O sucesso coletivo precisa aparecer nas decisões do dia a dia.

É nesse contexto que vejo o RH como arquiteto da transformação: uma área que constrói junto com o negócio, conecta as discussões e impulsiona as lideranças a protagonizarem a mudança.

Transformar bons exemplos em prática organizacional

Essa agenda é compartilhada. Cada líder precisa desenvolver abertura para o novo, experimentar com responsabilidade e conversar com seu time sobre o que está mudando. Cabe ao RH ajudar a desenvolver essas capacidades e criar condições para que o aprendizado se transforme em prática.

Uma forma de avançar é reconhecer os bons exemplos que já surgem dentro da organização. Identificar quem está usando IA para resolver um problema real, entender o que funcionou e compartilhar esse aprendizado ajuda a tornar a transformação mais concreta e próxima das pessoas.

Também precisamos avaliar os resultados com critério. Ganhar velocidade só faz sentido quando preservamos a qualidade. Automatizar uma etapa precisa melhorar o processo como um todo. E ampliar o uso de IA exige clareza sobre dados, responsabilidades, limites de atuação e momentos em que a decisão deve permanecer com uma pessoa.

Na Panvel, essas reflexões se conectam ao desafio de crescimento e desenvolvimento das nossas pessoas, preservando a humanização e o sucesso coletivo. Nosso papel é avaliar o que faz sentido para a nossa realidade e transformar aprendizados em escolhas consistentes.

Uma nova agenda para o desenvolvimento das lideranças

Saí do Congresso com uma convicção: a transformação do trabalho precisa fazer parte da agenda de desenvolvimento das lideranças.

Se as atividades estão mudando e novas capacidades passam a ser necessárias, precisamos rever também como preparamos nossos líderes e nossos times. Estamos criando espaço para experimentar? Desenvolvemos o julgamento necessário para trabalhar com IA? Ajudamos as pessoas a enxergar novas possibilidades para sua contribuição?

A inteligência artificial já está provocando mudanças no trabalho. A forma como vamos conduzir essa transformação depende das decisões que tomamos agora – e da nossa disposição para aprender e construir juntos.