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Como o grupo Risotolândia construiu um quadro com 30% de colaboradores 50+

Com 70 anos de história, companhia de refeições coletivas encontrou no pertencimento e no desenvolvimento profissional uma fórmula para atrair e reter trabalhadores mais experientes

Vanessa Fajardo
2 de julho de 2026
Capa do artigo Como Faz com Risotolândia
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Com sede em Araucária (PR), o grupo Risotolândia é uma empresa com 70 anos de trajetória consolidada no segmento de refeições coletivas. São mais de 550 mil refeições feitas por dia e destinadas a escolas, empresas, hospitais e supermercados, com atuação nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Ao todo, mais de 300 cidades são atendidas.

O ecossistema de alimentação da Risotolândia reúne sete marcas, entre alimentação, pratos ultracongelados, logística e facilities. Para atender todo esse público, a companhia possui cerca de 5 mil colaboradores, em uma composição bastante diversa: 86% são mulheres e 30% têm mais de 50 anos.

Em entrevista ao Cajuína, Ezequiel Daniel, Gerente de Relações Trabalhistas e Sindicais do Risotolândia, disse que os funcionários desta faixa etária são muito bem-vindos e encontram na empresa, além da proximidade com os pares, a oportunidade de se desenvolverem. “Eu mesmo entrei como officeboy, uma função que nem existe mais, numa trajetória de 36 anos.”

Confira, a seguir, os principais trechos da conversa:

Hoje cerca de 30% do quadro de colaboradores está na faixa etária de 50+. A que vocês atribuem esse número?

Esse é um público que acaba sendo excluído do mercado de trabalho, mas na Risotolândia acontece o contrário. Aqui, ele é muito bem-vindo. Nos nossos recrutamentos, aproximadamente 23% dos colaboradores que entram na companhia, mensalmente, estão nessa faixa etária de 50 anos ou mais.

Dos nossos 5 mil empregados, cerca de 2,5 mil são atendentes ou merendeiras. O que acontece é que quando a pessoa chega na empresa ela sabe que vai encontrar os pares dela, pessoas que têm a mesma idade. Eventualmente, ela ainda vai encontrar com os filhos e netos que estudam na escola que ela trabalha, isso vai acontecendo e esse público vai chegando cada vez mais.

O que você acredita que este público agrega à companhia?

Por terem uma vivência maior, trazem paciência, mais tato e cuidado com o cliente. Isso nos ajuda a manter a qualidade da prestação do serviço. Dentro da empresa, eles se sentem pertencentes e acolhidos. Temos um programa de bem-estar com psicólogo, assistente social e nutricionista. Além disso, esse é um público que tende a ficar na empresa, contribuindo para que a nossa rotatividade diminua. Outra vantagem é que ele nos ajuda a moldar os jovens – apesar da média de idade dos colaboradores ser de 40 anos, temos 250 aprendizes em atuação.

Existe algum choque geracional entre eles?

Um complementa o outro. O jovem é enérgico, tem vontade de crescer, conhece tecnologia. Então, há uma troca com ganhos para ambos os lados. É claro que há conflitos, mas os benefícios que contribuem com a nossa organização são muito maiores. A empresa tem a responsabilidade de fazer com que eles se integrem e isso ocorre de forma bem interessante também nas ações sociais que fazemos externamente. A Risotolândia tem projetos de sustentabilidade e ESG, que atendem agricultores, além de comunidades e crianças.

A empresa possui algum plano de desenvolvimento de carreira voltado aos 50+?

Temos um déficit de cozinheiros impressionante, por isso proporcionamos a formação para auxiliares de cozinha, dando as ferramentas necessárias para que eles se tornem cozinheiros. O colaborador que chegou como auxiliar, invariavelmente, vai se tornar cozinheiro, mas tenho exemplos de profissionais que se tornaram nutricionista e chegaram ao cargo de gerente de unidade no departamento.

Ou seja, o colaborador pode passar de auxiliar de cozinha para meio oficial, cozinheiro, até chegar ao cargo de supervisor ou gerente de unidade. Evidentemente que é preciso ter a formação adequada para isso. Para ser gerente de unidade, por exemplo, tem que ter curso superior. Eu mesmo entrei como officeboy, uma função que nem existe mais e sou gerente de relações trabalhistas e sindicais, numa trajetória de 36 anos.

E como vocês apoiam essas formações?

Temos a Universidade Corporativa, em que todos os colaboradores têm acesso às trilhas de desenvolvimento. É claro que as trilhas estão atreladas às vagas, mas há opções que vão desde como fazer uma costela até gestão financeira e administrativa. À medida que eles vão concluindo os cursos, recebem certificados e bônus, cumprindo um dos critérios para a promoção. Também há os games em que o colaborador vai aprendendo sobre os conteúdos como se fosse um jogo em que vai jogando e pode ganhar prêmios. Além disso, temos convênios com faculdades que garantem bolsas de estudos para os colaboradores que querem ingressar no ensino superior.

Para finalizar, poderia deixar uma dica de conteúdo para quem acompanhou a entrevista até aqui?

Vou deixar como indicação o filme O Senhor Estagiário, com Robert De Niro e Anne Hathaway, que trata bem da mistura de perfis geracionais e dessa importante troca de experiências no mundo do trabalho.

Vanessa Fajardo é jornalista, com passagens pelas redações do portal G1 e Agora SP. Também faz contribuições para veículos como Estadão, BBC Brasil, UOL e Porvir.