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Preocupação com ESG precisa estar na pauta do RH

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Atração de talentos na tecnologia: as dicas de Vítor Andrade, do iDEXO

O diretor-geral do iDEXO by TOTVS dá sua opinião sobre o futuro do trabalho

Redação
15 de março de 2022
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Há pouco mais de 10 anos, Marc Andressen, fundador da Netscape, uma das primeiras grandes startups da Internet e hoje sócio da Andreessen Horowitz, fundo de venture capital destaque no Vale do  Silício, escreveu o famoso artigo “O software está comendo o mundo“.

A mudança no comportamento das pessoas acelerada pela pandemia gerou uma forte pressão pela transformação digital dos negócios de todos os tamanhos, e tornou empresas, no todo ou em parte, empresas de software.

E nesse contexto, a briga por talentos em produto, tecnologia e design torna-se cada vez mais acirrada. Estima-se que a demanda em tecnologia será de 800 mil profissionais até 2025, no entanto, enquanto as vagas crescem de forma exponencial, a formação cresce de forma muito mais linear. Hoje não tem profissional para todas as vagas abertas no mercado. 

Além da questão de oferta/demanda, vejo uma mudança no comportamento dos profissionais de tecnologia, buscando cada vez mais flexibilidade e possibilidade de se envolver em projetos diferentes ao longo da carreira. Não foram só os clientes que mudaram, mas também os profissionais.

Não acredito que as empresas vão preencher 100% das vagas abertas na área hoje e/ou daqui pra frente apenas com profissionais full time exclusivos.

As empresas vão precisar construir um ecossistema expandido de força de trabalho (ou um workforce ecosystem, como batizaram MIT e Deloitte) combinando talentos internos e externos – desenvolvedores freelancer, estúdios de software, startups –, especialmente para se manter inovando e desenvolvendo novos produtos. 

O aumento do número de pessoas de produto, tecnologia e design nas empresas e um olhar de ecossistema expandido de força de trabalho exige uma transformação na forma de pensar e agir das organizações e na forma como estas fazem a gestão de pessoas:

  1. Marca “empregadora”: quando as empresas se tornam mais digitais é necessário repensar a estratégia de marca empregadora para se tornar mais atrativa para profissionais de tecnologia. Este público pensa diferente e busca empresas atuantes em comunidades de desenvolvimento, que apoiem eventos da área e que contribuam com projetos open source, por exemplo. Empresas vencedoras num mundo menos digital, vão precisar se esforçar para serem atrativas para o público tech.
  2. Recrutamento e seleção: a atividade de R&S precisa também ser repensada para contemplar um leque maior de formas de contratação, desde uma vaga full time até vagas temporárias para projetos específicos. Além das formas tradicionais de recrutamento de candidatos, as empresas precisarão investir na produção de conteúdo para o público de tecnologia e buscar uma aproximação dos marketplaces de profissionais tech  para talentos freelancer. Outro aspecto importante em relação a esse público é que a formação acadêmica normalmente não é a melhor forma de analisar um currículo, pois alguns dos melhores profissionais de tecnologia não possuem titulação acadêmica.
  3. Gestão de  talentos: num ecossistema expandido de força de trabalho, é importante conhecer muito bem os seus talentos internos, pois eles são, normalmente, o ponto de partida para definir as competências que estão faltando e assim ir ao mercado para contratá-las. Provavelmente vamos ver um movimento crescente de contratação para desafios específicos, formando times híbridos formados por talentos full e part-time. Nesse cenário, o papel das áreas de negócio é essencial para tornar mais efetivo o trabalho dos recrutadores e utilizar o melhor dos 2 mundos. 
  4. Cargos e Carreiras: o mercado para profissionais de produto, tecnologia e design está bastante aquecido e a movimentação entre empresas tem sido bastante intensa. São diversos os motivos para uma movimentação profissional, mas considero que um dos principais é a busca por oportunidades de crescimento. As empresas deveriam acompanhar os talentos mais de perto e pensar em um plano de carreira mais personalizado. Muitas vezes o profissional sai porque  quer novos desafios e, por não encontrá-los dentro da empresa atual, acabam buscando isso fora. Algumas empresas como a BossaBox, Vibbra e Môre entenderam a “natureza” curiosa desses profissionais e passam atuar como facilitadores para alocação dos profissionais em novos projetos e clientes.

Ainda estamos no início de um processo acelerado de mudança na forma de pensar e agir das organizações e vejo os profissionais de produto, tecnologia e design com papel fundamental para a criação de novos negócios e a transformação digital dos negócios atuais. Acredito que as organizações que vão continuar crescendo são aquelas que souberem atrair talentos de tecnologia e fazê-los atuar em rede.

Transformação digital é sobre mudar a forma de pensar e agir, utilizando tecnologia e dados, para entregar uma melhor experiência para os clientes.

*Texto e opinião por Vítor Andrade.