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Você confia milhões à intuição? Por que o Design Organizacional ainda é gerido no “feeling” (e como mudar isso)
Enquanto controlamos cada centavo da receita, a máquina que gera esses resultados — nossa estrutura organizacional — continua operando no escuro. Chegou a hora de acender a luz
Convidado Comp
13 de novembro de 2025
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*Bernardo Rodrigues
Vamos encarar a realidade: quantas “reestruturações” sua empresa já viveu que, no final do dia, pareciam mais uma dança das cadeiras corporativa do que um movimento estratégico real?
Decisões críticas — criar uma nova unidade de negócios, promover lideranças chave ou redesenhar times inteiros — ainda são, assustadoramente, tomadas com base no “feeling” da liderança ou em benchmarks genéricos que ignoram completamente o momento e particularidades únicas do seu negócio.
Sempre vi a Estrutura Organizacional como o sistema circulatório da estratégia: se ela não for fluida, eficiente e bem desenhada, a estratégia não chega na ponta. Ela morre no PowerPoint cheio de caixinhas. No entanto, ao longo da minha trajetória, vi esse sistema ser tratado como um “personograma” — um puxadinho feito para acomodar egos e pessoas, em vez de um instrumento desenhado para viabilizar o futuro.
Se você ocupa uma cadeira no C-Level, sabe que o custo dessas decisões “no escuro” é altíssimo. Elas não geram apenas ineficiência; elas geram lentidão em um mercado que pune quem é lento. A dor é clara e paradoxal: temos dashboards em tempo real para cada centavo da nossa receita, mas a real eficiência da nossa “máquina de gente” continua sendo uma caixa preta.
Minha jornada: a busca obstinada por eficiência real nas estruturas
Essa dissonância sempre me incomodou. Antes de vestir a camisa da Comp, vivi esse desafio do outro lado da mesa, dentro das organizações. Passei anos estudando design organizacional, buscando obsessivamente uma forma de transformar essa subjetividade “artística” em métricas científicas e acionáveis.
Eu via o filme se repetir: empresas crescendo exponencialmente, inchando suas estruturas e plantando hoje as sementes da ineficiência de amanhã. Faltava o equilíbrio entre a arte de lidar com pessoas e a ciência de desenhar processos.
Há cerca de um ano, Filipe Ducas (Co-founder da Comp) me apresentou algo inédito: uma metodologia proprietária de maturidade organizacional que estava construindo na época. Como entusiasta do tema, fui capturado instantaneamente pelo potencial daquele modelo. Tive a oportunidade de colaborar com sua concepção ainda “do outro lado” e, hoje, como parte do time, vejo aquela visão teórica se transformar em vantagem competitiva real para nossos clientes.
Ultrapassamos a barreira do “acho”. Agora, temos dados.
O Fim do “feeling” estrutural: O Score de Remuneração da Comp
O mercado carecia de uma “régua” definitiva para medir a maturidade em Total Rewards e eficiência organizacional. Foi para preencher esse vácuo que criamos o Score de Remuneração.
Mais do que uma metodologia proprietária e disruptiva, o Score (uma pontuação de 0 a 100) é um diagnóstico de saúde do seu negócio. Para o CEO e o CFO, ele deixa de ser uma “métrica de RH” e passa a ser um indicador de eficiência de capital humano e estratégia.
Ele responde às perguntas que tiram o sono dos executivos: “Estamos pesados demais?”, “Nossa estrutura acelera ou freia a inovação?”, “Temos os talentos certos para construir o futuro ou apenas para manter o presente?”.
Os 4 Pilares da Velocidade Organizacional
Nosso Score não olha para métricas isoladas. Ele é um raio-X interconectado de quatro alavancas fundamentais de estratégia:
1. Maturidade de Governança:
Seu modelo de contratação atual é uma alavanca de crescimento ou um passivo silencioso esperando a próxima due diligence para explodir?
Não se trata apenas de compliance, mas de usar diferentes regimes (CLT, PJ, híbridos) como estratégia de acesso a talentos, garantindo previsibilidade de custos para o CFO e segurança jurídica, sem abrir mão da velocidade que o mercado exige.
2. Span of Control (Amplitude de Controle):
Quantos milhões você gasta anualmente em lideranças que, na prática, estão apenas micro gerenciando em vez de destravar valor estratégico?
Medimos a eficiência real da sua malha de liderança. Desvios aqui são fatais: spans muito baixos significam burocracia e custo excessivo; spans muito altos sinalizam times órfãos, sobrecarga e burnout iminente. Encontrar o ponto ótimo é destravar a velocidade de execução da companhia.
3. Pirâmide de Níveis:
Você está construindo um exército de “comandantes” caros ou formando hoje a base de talentos que entregará sua estratégia daqui a 5 anos?
Uma pirâmide saudável não acontece por acidente; ela é projetada. Analisamos a proporção real da sua força de trabalho para garantir uma base operacional robusta, especialistas valorizados e liderança na medida certa. É sobre conectar a estrutura atual com a perenidade do negócio.
4. Disparidade Salarial Interna:
O custo de perder seus melhores talentos internos por percepção de injustiça já superou o “prêmio” que você paga para atrair estrelas do mercado?
Buscamos o equilíbrio fino: agressividade suficiente para atrair quem é bom de fora, sem quebrar a equidade interna que retém quem já performa dentro de casa. Manter a dispersão saudável (idealmente entre 80% e 120% da mediana) é blindar sua cultura contra o desengajamento.
Muito Além da Soma das Partes
A verdadeira revolução acontece quando cruzamos esses dados. Uma empresa pode ter ótima Governança, mas estar travada por um Span of Control ineficiente. Pode ter uma Pirâmide linda, mas estar sangrando talentos por alta Disparidade Salarial.
O Score de Remuneração é um diagnóstico sistêmico. Ao buscar a maturidade nesses quatro eixos, você não está apenas “arrumando a casa”. Você está construindo uma máquina capaz de:
Executar com velocidade, sem travas burocráticas.
Garantir densidade de talento, com mobilidade real.
Entregar valor superior na ponta, porque uma estrutura interna saudável reflete diretamente na qualidade do produto final.
Um Novo Patamar para o mercado
A confiança na robustez dessa metodologia é tamanha que ela será o motor do nosso Prêmio de Maturidade em Remuneração. Mais de mil empresas serão avaliadas, e apenas aquelas que demonstrarem práticas de classe de ponta serão reconhecidas com o Selo. É um movimento para elevar a barra do mercado brasileiro como um todo.
E este é apenas o começo. Estamos embarcando IA e expertise técnica para aprofundar ainda mais essas visões (vem aí novidades exclusivas sobre Span of Control!).
No fim do dia, Design Organizacional não é sobre desenhar caixinhas. É sobre desenhar o fluxo mais eficiente para transformar o esforço humano em resultado de negócio.
A pergunta que fica é: você vai continuar operando sua estrutura mais cara e complexa no “feeling”, ou está pronto para usar a régua certa?
*Bernardo Rodrigues é Compensation Executive na Comp. Possui mais de 14 anos de experiência em RH e Remuneração, com passagens em grandes empresas de tecnologia e varejo, ocupando cadeiras de liderança e de especialista no tema. Também atua como mentor e facilitador de ensino em temas relacionados a área de RH e remuneração.