Nos EUA e no Reino Unido, empresas já começam a oferecer ‘canetinhas emagrecedoras’ como benefício para colaboradores; medida visa produtividade e redução do absenteísmo, mas testa limites da atuação corporativa

*Bernardo Rodrigues
Recentemente, ao analisarmos as empresas participantes do nosso Prêmio de Maturidade, chegamos a uma conclusão reveladora: o tema Span of Control obteve, consistentemente, a nota média mais baixa de toda a avaliação. Esse dado, contudo, não é apenas uma estatística fria. Ele é um “grito silencioso” do mercado. Ele sinaliza que, em um mundo obcecado por agilidade, desenhar a arquitetura das equipes continua sendo o desafio mais complexo e menos resolvido para os líderes atuais.
Nas conversas de bastidores com CEOs e CHROs, a angústia é palpável e recorrente: “Como mensuro meus spans? O quanto um desenho errado me custa em velocidade?”.
A resposta curta? As metodologias de prateleira falharam, simplesmente porque não se adaptaram à evolução do mercado. Elas foram desenhadas para um mundo estático, pré-IA, onde hierarquia significava controle, não velocidade e que ignorou a dinâmica da nova economia.
Por décadas, o RH perseguiu um “número mágico” de liderados por gestor. No entanto, enxergo que essa obsessão matemática ignora o fator mais crucial da gestão moderna: o contexto.
Não existe paridade entre um gestor em uma startup em hyper-growth, onde a autonomia é o oxigênio, e um gestor em uma reestruturação corporativa que exige controle granular. Da mesma forma, a musculatura necessária para liderar sprints curtos é radicalmente diferente daquela exigida para orquestrar projetos de longo prazo.
O mercado carece de uma abordagem que mescle o olhar quantitativo e qualitativo: a resposta não está na aritmética, está na nuance. A modernidade exige considerar aspectos como a expertise técnica do líder, a complexidade da entrega e, fundamentalmente, o nível de automação que já suporta aquela cadeira.
Foi essa busca por apresentar uma nova resposta às demandas do mercado com precisão contextual que nos levou a desenvolver uma metodologia proprietária de Span of Control Comp baseada em 12 critérios qualitativos. E, para estarmos à altura do nosso tempo, “embedamos” a metodologia em um IA Agent, treinando com um extenso apanhado de literatura acadêmica sobre Org Design e, crucialmente, com a forma de pensar do nosso time de Executivos de Remuneração (Comp Execs). Nós literalmente codificamos e nossa forma de pensar e colocamos lá dentro. O resultado é uma uma IA que atua como um consultor instantâneo, capaz de diagnosticar e recomendar spans com uma precisão que, manualmente, levaria dias — e a nossa IA entrega em instantes. Você encontra aqui, na aba de Relatórios.
Mas os dias atuais exigem além de resolver o span tradicional. O verdadeiro desafio está no horizonte imediato.
O mercado dá sinais claros de um período com foco excessivo em eficiência operacional. Contudo, a eficiência moderna não será alcançada apenas “fazendo mais com menos pessoas”. Ela será alcançada com inteligência.
Estamos assistindo à colisão inevitável entre o Workforce Planning e a Inteligência Artificial. A velha equação de headcount e número de cadeiras está incompleta sem os “Agentes”. Não estamos mais falando apenas de automação de tarefas, mas de um redesenho estrutural onde humanos e IAs operam em simbiose.
É para decodificar essa nova arquitetura que surge a necessidade de uma nova lente, capaz de ir além do óbvio e responder à provocação fundamental do nosso tempo: qual é o ponto de equilíbrio exato entre pessoas e tecnologia para escalar não a nossa força de trabalho, mas a nossa inteligência?
Aqui reside nossa grande provocação: E se o futuro for menos sobre planejar a força de trabalho e mais sobre planejar a inteligência do trabalho?.
A liderança do futuro não gerenciará apenas pessoas. O líder será um orquestrador, capaz de reger uma combinação de inteligência humana criativa e capacidade de execução artificial em escala.
Isso altera a própria forma da pirâmide corporativa. À medida que a IA assume a base transacional, vemos uma tendência de seniorização das estruturas. A base se achata e a densidade de talento estratégico no topo aumenta. O gestor passa a ter um “braço direito” digital que amplia seu alcance sem diluir a qualidade.
Entender essa dinâmica não é exercício de futurologia, é instinto de sobrevivência.
O convite que fazemos ao mercado é para ajustar as lentes: pare de olhar apenas para quantas pessoas cabem em uma equipe e comece a olhar para quanta inteligência aquela equipe pode gerar. O imperativo é abandonar o “controle” pelo controle e abraçar o design intencional.
Afinal, sua estrutura organizacional está desenhada para controlar pessoas ou para otimizar inteligência?

*Bernardo Rodrigues é Compensation Executive na Comp. Possui mais de 14 anos de experiência em RH e Remuneração, com passagens em grandes empresas de tecnologia e varejo, ocupando cadeiras de liderança e de especialista no tema. Também atua como mentor e facilitador de ensino em temas relacionados a área de RH e remuneração.
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