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Preocupação com ESG precisa estar na pauta do RH

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Meu feedback: Paula Bellizia, do Ebanx

Com passagens por empresas como Apple, Facebook, Microsoft e Google, executiva conta como aprendeu desde cedo a lidar com a linguagem corporal e escutar os outros

Bruno Capelas
13 de outubro de 2022
Meu feedback: Paula Bellizia, do Ebanx
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Em 2022, Paula Bellizia está completando 30 anos de carreira – e poucos executivos no Brasil podem dizer que têm uma trajetória com tantos nomes de peso quanto ela. Nessas três décadas, Paula liderou equipes em empresas como Apple, Microsoft, Google e Facebook, além de ter feito parte de conselhos de administração de companhias como Arezzo, Burger King Brasil e Globo. 

Hoje, em sua segunda mudança de posição durante a pandemia, ela ocupa o cargo de presidente de pagamentos globais na startup brasileira Ebanx – uma mudança que, segundo ela, se deve menos às empresas por onde passou e mais pelos desafios que vê agora. “Sem querer, eu encontrei uma empresa brasileira, de tecnologia, com uma missão clara, perfil global, e onde eu poderia trazer minha experiência e continuar aprendendo ao mesmo tempo”, diz ela a Cajuína. 

Ao longo de sua trajetória, Paula recebeu inúmeros feedbacks. Um deles, em meados dos anos 2000, concedido quando tinha acabado de assumir o cargo de diretora de marketing da Microsoft Brasil, marcou sua carreira. Essa é a estreia da sessão Meu Feedback, em que executivos dividem conselhos e comentários que marcaram sua evolução profissional. 

“O feedback que mais me marcou foi um feedback bastante prático, não era muito filosófico não. Na época, eu estava assumindo a posição de diretora de marketing da Microsoft Brasil. Eu era uma líder jovem, já estava numa posição de liderança, mas estava ali sendo testada para próximos níveis de liderança. E quem me deu esse feedback foi um VP global, um líder acima do meu gestor direto. Um dia, numa reunião, ele me disse o seguinte: ‘Paula, você tem que prestar atenção na mensagem que seu corpo manda para as pessoas. Existe uma coisa que você fala e existe outra coisa, que é o que o seu corpo fala’. E ele pontuou com exemplos: em determinada situação, se o tema que estava sendo discutido me deixava preocupada, eu sentava na ponta da cadeira – e ele mesmo sentou na ponta da cadeira para me explicar.

Foi um feedback muito importante para mim, ainda mais por aquele exemplo. Feedback com exemplos é verdadeiramente uma benção. Ali, eu aprendi que, em muitas vezes, eu não estava ouvindo genuinamente o outro lado. Ouvir genuinamente é ouvir com a intenção não só de responder, mas sim de compreender. Quando você ouve com a intenção de responder, você perde metade da mensagem, perde a intenção. E esse feedback mudou minha forma de pensar, me fez entrar nas reuniões para ouvir e compreender, olhar mesmo para as pessoas que estão ali comigo. E é uma coisa que você só evolui mesmo se for praticar. 

Ali, eu aprendi que, em muitas vezes, eu não estava ouvindo genuinamente o outro lado. Ouvir genuinamente é ouvir com a intenção não só de responder, mas sim de compreender.

Além disso, foi algo que me fez perceber que a linguagem do corpo mostra muita coisa – e muitas vezes, manda uma mensagem muito rápida. Às vezes, a gente só tem 30 segundos para mandar uma mensagem, e depois desse feedback eu comecei a observar melhor e entender se as pessoas estavam ali realmente querendo ter a conversa. No online, isso é mais difícil. No mundo físico, é possível observar a pessoa com quem você vai falar, você vê a pessoa entrando, consegue entender se ela está de bom humor ou não, a conversa de aquecimento antes de entrar no tópico da reunião.

Assim, um aprendizado que eu tive nas reuniões online foi de justamente passar uma rodada de perguntas com as pessoas para saber como elas estavam – e isso não só dá o tom para outros líderes, mas também mostra interesse genuíno nas pessoas. Não importa se é uma reunião online ou física, se é 2D ou 3D, somos todos pessoas e precisamos nos cuidar e nos conectar com os outros.”

Bruno Capelas é jornalista. Foi repórter e editor de tecnologia do Estadão e líder de comunicação da firma de venture capital Canary. Também escreveu o livro 'Raios e Trovões – A História do Fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum'.