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Por que estão falando tanto de… quit-tok

Por que estão falando tanto de… quit-tok

Muito distante do quiet quitting, a prática de publicar vídeos que mostram a própria demissão nas redes sociais ganhou popularidade entre a fatia mais jovem da atual força de trabalho. O quit-tok, trend que já soma muitos adeptos no TikTok, mostra como estamos diante de um novo perfil profissional – e um novo desafio para o RH.

Os segredos para manter uma equipe alinhada: as dicas do maestro João Maurício Galindo, da Orquestra Jazz Sinfônica Brasil

Com mais de trinta anos de experiência na regência, o maestro compartilha lições sobre liderança na música clássica que podem ser aplicadas no mundo corporativo

Karina Sérgio Gomes
24 de julho de 2023
segredos para manter uma equipe alinhada
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O maestro fica de costas para o público, porém de frente e atento a cada músico da orquestra. Ele levanta os braços, articula as mãos e conduz a batuta. Esses gestos podem parecer desconexos para quem não está familiarizado. No entanto, os movimentos desenhados pelo regente durante a apresentação representam uma linguagem amplamente conhecida no universo da música. Assim como deveria ser no mundo corporativo, em uma orquestra, todos falam a mesma língua e conhecem todos os códigos. A função do maestro é estar atento à sua equipe e guiá-la para que realize seu trabalho à perfeição.

“O regente está atento ao som de todos os instrumentos. Ele precisa dizer, por exemplo, quem tem de tocar mais forte ou mais fraco em cada momento da música. A figura do maestro é como a de um piloto de avião: ele sincroniza tudo para que as notas levantem voo sem risco de turbulência”, explica João Maurício Galindo, maestro da Orquestra Jazz Sinfônica Brasil e apresentador do programa “Pergunte ao Maestro”, da Rádio Cultura, no qual tira dúvidas dos ouvintes sobre música clássica.

Já que manter uma equipe afinada para evitar qualquer descompasso é um desafio para todos os líderes, Galindo compartilha à seguir os seus segredos para fazer com que ninguém saia do tom.

#1: Todos precisam saber o que vão fazer

Em uma orquestra, assim como em qualquer empresa, todos sabem o que precisam fazer. Cada instrumentista entende sua função no repertório que será executado e quando deve entrar em cena. Dentro da orquestra, além do maestro que está regendo o grupo todo, há uma hierarquia entre os instrumentos. O primeiro violinista, que senta na primeira fileira ao lado do regente, é o braço direito dele. Os demais violistas sabem que podem segui-lo para não se perderem. Cada grupo de instrumentistas tem um líder em quem podem confiar. “Espera-se também dos músicos a escuta ativa e total concentração, pois todos devem estar atentos uns aos outros para não se sobreporem ou entrarem antes ou depois do momento certo. O autofoco é importantísso”, comenta Galindo.

#2: Conhecer bem a música a ser tocada

Todos os músicos, assim como o maestro, precisam conhecer muito bem a partitura que irão tocar. Eles devem chegar ao ensaio com a música já estudada para fazer ajustes em conjunto. A partitura serve como um guia detalhado, indicando para cada músico o que ele precisa fazer e quando. Em um projeto corporativo, para que todos fiquem na mesma página, todos também devem conhecer muito bem o motivo de estarem na equipe, sua função, o que precisa ser feito e quando cada membro da equipe precisa entrar em ação.

Em um projeto corporativo, para que todos fiquem na mesma página, todos também devem conhecer muito bem o motivo de estarem na equipe, sua função, o que precisa ser feito e quando cada membro da equipe precisa entrar em ação.

#3: Conhecer o seu time e saber como cobrar

Para não perder a influência sobre o grupo, o maestro precisa demonstrar conhecimento e saber o que exigir. Se os músicos perceberem que ele está pedindo pouco, podem achar que ele não sabe o que está fazendo; assim como se ele exigir demais, pode deixá-los estressados por não conseguirem atender às expectativas. Quando Galindo assumiu a Jazz Sinfônica, o grupo era muito indisciplinado. “Eu vinha da música clássica, onde havia uma grande rigidez. Cobrei muita disciplina no começo, mas percebi que, devido ao estilo de música que tocamos, os músicos também precisam estar mais soltos. Então, foi necessário encontrar um meio-termo de acordo com o trabalho que desempenhamos”, explica.

#4: Falar a mesma língua

“Qualquer maestro pode reger orquestras na Europa, no Japão, nos Estados Unidos ou no Brasil, pois os códigos são os mesmos em qualquer lugar e todos os músicos os conhecem”, afirma Galindo. Isso faz com que todos compreendam com apenas um ou dois gestos se é preciso tocar com mais força, mais suavidade, mais rápido ou mais devagar. Além disso, as composições clássicas são conhecidas por todas as orquestras. As músicas de Beethoven, por exemplo, são tocadas há 200 anos. Isso facilita para que, com apenas um ou dois ensaios, um maestro possa executar um concerto com uma orquestra que acabou de conhecer. Falar a mesma língua é crucial também no mundo corporativo: ter uma linguagem em comum que todos compreendam evita ruídos na comunicação.

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#5: O time precisa confiar em você

São raros os maestros que não passaram um bom tempo de suas carreiras tocando ou cantando em uma orquestra. Como dizem no jargão corporativo, conhecem o “chão de fábrica”.

“O maestro precisa ter uma vivência musical e estudar orquestração”, ressalta. Ele não precisa saber tocar todos os instrumentos, mas precisa conhecer o papel que um músico representa em uma orquestra (ter vivência) e a função de cada membro da equipe. A combinação desses dois conhecimentos vai ajudá-lo a guiar os músicos, que precisam confiar no regente. Para isso, o maestro precisa ouvir atentamente o que cada um está tocando, identificar o que precisa ser corrigido e o que pode ser aprimorado. “O papel do maestro é fazer com que eles toquem melhor”, conclui Galindo. Em outras palavras, o líder precisa trabalhar para que o time entregue sempre o melhor resultado possível.

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e mestre em Artes visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, já escreveu para veículos como Folha de S.Paulo, NeoFeed, Metrópoles, O Estado de S. Paulo, revistas GOL e Veja São Paulo. Trabalhou na curadoria de exposições no MAM São Paulo e no CCSP.

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