Na cadeira principal de RH das Américas dentro de uma das maiores empresas de transporte marítimo do planeta, executivo explica que multinacionais não terão sucesso se tentarem impor suas governanças ignorando as características de cada região
Para falar da importância da liderança sustentável, ouso começar por Aristóteles. O filósofo grego acreditava que o universo era ordenado, cósmico, onde cada parte teria seu lugar ideal e o todo só funcionaria de maneira adequada se essas partes estivessem encaixadas, orientadas por seu talento natural. Assim, o vento seria capaz de ventar com uma habilidade incrível, o que não aconteceria se resolvesse fazer as vezes do sol. Para Aristóteles, o respeito a essa perfeição e talento é condição para uma vida boa, “eudaimônica” para falar à moda dos gregos. Caso contrário, a máquina iria “chiar”, denunciando algum desencaixe nesse todo perfeito.
O que isso teria a ver com sustentabilidade?
A discussão sobre sustentabilidade no final das contas é uma discussão sobre o encaixe perfeito do TODO, à despeito de tentativas mil de peças avulsas que gostariam de uma vantagem SOLITÁRIA qualquer. Educar líderes para sustentabilidade significa trazer para o debate corporativo essa discussão ética. E no cerne da questão está a ideia de legado.
É cada vez mais necessário provocar no líder qual é esse seu papel no todo, qual a missão o universo está lhe confiando.
Não há como liderar somente para o dia seguinte, para o “ano fiscal” em questão. Refletir sobre qual é o nosso legado nos leva a olhar para o hoje com respeito e dedicação que precisamos para construir o amanhã, tecendo um enredo que nos faça ter orgulho da trajetória que estamos construindo.
Há muita distração pelo caminho, por vezes dotada de atalhos atrativos e simplificadores, mas é exatamente nesses momentos que se faz ainda mais necessária a liderança para a sustentabilidade. As crises são didáticas nesse sentido, porque reveladoras de quem, de fato, está disposto a abrir mão de ganhos fáceis por convicções éticas duradouras.
Outro ponto relevante dessa discussão está em ampliar o debate sobre sustentabilidade – ou ESG, para falar no termo da moda. Em várias corporações ainda é uma discussão restrita a uma noção ambiental e aqui temos uma grande oportunidade de inspirar novas lideranças a incluir esse debate na estratégia do negócio.
É necessário que o líder esteja preparado para trazer à tona o tema de maneira ampliada, gerando valor em toda cadeia e ampliando o nível de consciência dos diversos atores do sistema. A ambição deve ser levar essa “maneira de pensar” para todo processo decisório, atuando com coragem para consolidar os avanços conquistados até aqui e agir com ousadia em busca de um porvir cada vez menos mitigador de desajustes e cada vez mais gerador de impacto positivo.
*Texto e opinião por Bruno Junqueira.
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