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Como a Vitru Educação aumentou em 50% o número de colaboradores PcD

Focada em cursos de educação à distância, dona da Uniasselvi e UniCesumar também elevou taxas nas posições acadêmicas de professores e tutores; processo seletivo específico é um dos trunfos da empresa

Vanessa Fajardo
14 de janeiro de 2026
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A Vitru Educação, dona das marcas Uniasselvi e UniCesumar, registrou um aumento de 49,5% na contratação de pessoas com deficiência (PcD) entre 2024 e 2025. Foram 145 PcDs contratadas em 2025, contra 97 em 2024. Para os cargos acadêmicos, de professores e tutores, houve no mesmo período um aumento do público PcD de 70,9% – de 55 para 94 profissionais.

Focada em educação à distância, a companhia chegou à marca de cerca de 10 mil colaboradores e 1 milhão de estudantes em 2025. Vivian Moreira, gerente de atração e seleção da Vitru, contou em entrevista a Cajuína que o resultado reflete uma estratégia estruturada, sustentada por valores organizacionais que colocam a inclusão como parte do cotidiano da companhia, e não como uma ação pontual ou restrita a uma área específica.

Na avaliação da empresa, segundo Vivian, a construção de uma cultura inclusiva exige intencionalidade, coerência entre discurso e prática e o engajamento de diferentes frentes. As iniciativas envolvem áreas como pessoas, recrutamento, treinamento e desenvolvimento, saúde e segurança do trabalho, além do papel central das lideranças, responsáveis por garantir que a inclusão seja vivida no dia a dia das equipes.

Quanto mais diverso e plural for o time, mais a inovação vai acontecer.

“Temos muitos grupos de trabalho, de pessoas de diferentes áreas, cada um com o seu conhecimento e sua jornada, contribui e isso faz nosso serviço melhorar. Acreditamos muito nessa pluralidade de perfis”, afirma Vivian. A seguir, os principais trechos da entrevista.  

A Vitru Educação registrou um aumento de 49,5% na contratação de pessoas com deficiência entre 2024 e 2025. A que fatores vocês atribuem esse crescimento?

Entendemos que a cultura é construída intencionalmente, por meio dos nossos valores e dos nossos comportamentos. A cultura precisa acontecer no dia a dia para que seja sentida e vivida, além de comunicada. As iniciativas de diversidade e inclusão não são responsabilidade de uma área ou de alguém isoladamente, mas sim um compromisso de muitos envolvidos nesse ecossistema – seja na área de pessoas, no recrutamento, no treinamento e desenvolvimento, na medicina e segurança do trabalho e principalmente, nas lideranças que estão na ponta.

Esse resultado é reflexo de muitas iniciativas que estão dentro do projeto Soma. Fizemos muitas atrações intencionais, ativas, com a divulgação de vagas em redes de parceiros de instituições especializadas, comunidades; feiras; hunting direcionado; além de uma jornada de recrutamento e seleção acessível, respeitosa e acolhedora. 

Em 2025 lançamos um programa de indicação com esse foco, que é o Indica aí, estimulando os nossos próprios colaboradores a contribuir na atração de talentos. Também estabelecemos uma parceria com o INSS para receber pessoas em processo de reabilitação, conectando esses profissionais às nossas oportunidades. São muitas ações que fazem parte da nossa agenda contínua de trabalho dentro do Soma. 

Considerando apenas as funções acadêmicas, entre professores e tutores, o avanço é ainda maior, chegando a 70% (de 55 para 94 profissionais). O que justifica esse salto mais significativo nessas posições?

Por sermos um grupo de educação, a grande maioria das posições está dentro do campo acadêmico. É algo do negócio em si, por isso entendo que foi um número muito orgânico. Mas tivemos a preocupação de mapear as funções junto com suas lideranças, para entender o que precisaríamos revisitar e ajustar para que os colaboradores pudessem exercer suas funções trabalhando com qualidade e conforto. 

Vocês realizam um processo seletivo específico para pessoas com deficiência, o Inclui Day. Qual foi a motivação para criar esse modelo diferenciado de seleção? Nos processos comuns não havia interesse desse público pelas vagas?

Percebemos que as candidaturas de PcD ainda não tinham o número que gostaríamos. Por isso, pensamos em dedicar um dia inteiro para conectar as nossas oportunidades só com os profissionais com deficiência que tenham interesse em trabalhar na Vitru. É um dia muito especial. Fizemos o lançamento do Inclui Day para que as pessoas possam se candidatar, elas respondem algumas perguntas, se necessitam de algum recurso, de alguma adaptação para poder participar do processo para que estejamos prontos para recebê-los. 

Existe a possibilidade da entrevista acontecer tanto presencialmente quanto online. Dessa forma, conseguimos trazer essa capilaridade de olhar não só para alguma região específica, mas para o Brasil todo. É um dia em que nosso time de 20 recrutadores fica totalmente dedicado a entrevistar esses profissionais. Em 2025 fizemos a terceira edição, que ocorreu em Maringá (PR). No ano passado tivemos 49 pessoas entrevistadas, este ano já foram 79. Na primeira semana pós Inclui Day, tivemos cinco pessoas contratadas. 

Ouvir as pessoas é fundamental para que possamos entender se estamos no caminho e o que é preciso para corrigir a rota. 

Depois da contratação, como a Vitru acompanha a experiência dos profissionais com deficiência? Há ações específicas de desenvolvimento, acessibilidade ou acolhimento?

Isso é muito importante porque não adianta fazer uma ação de atração, se depois a jornada desse profissional não for tão rica, interessante, respeitosa e confortável quanto foi o processo seletivo. Para o pós-contratação, atuamos em várias pontas. Criamos uma trilha de gestão inclusiva para líderes em que abordamos vários temas – incluindo viés inconsciente, comunicação inclusiva, a importância das adaptações e acolhimento. Todo líder de pessoas da Vitru, independentemente de ter ou não profissionais com deficiência no seu time hoje, passou por essa capacitação.

Também temos várias trilhas para os colaboradores, capacitando-os em vários temas que possam ajudá-lo no desenvolvimento de carreira, como tecnologia e inovação na Vitru Academy. Promovemos rodas de conversa ao longo do ano, campanhas internas, comunicação contínua sobre diversidade, equidade e inclusão. 

Divulgamos muito as histórias reais com depoimentos dos colaboradores. Temos ações de escuta, com agenda de pesquisa e clima e no final da jornada de entrevistas de desligamento. Ouvir as pessoas é fundamental para que possamos entender se estamos no caminho e o que é preciso para corrigir a rota. Além disso, monitoramos indicadores como nível de satisfação e motivação para deixar a empresa com objetivo de nos nortear.

Quais são os principais ganhos desse tipo de inclusão para a companhia? Como os estudantes das instituições do grupo também se beneficiam dessas iniciativas? 

Quanto mais diverso e plural for o time, mais a inovação vai acontecer. Temos muitos grupos de trabalho, de pessoas de diferentes áreas, de pessoas com deficiência, sem deficiência e cada um com o seu conhecimento e sua jornada, contribui e vamos fazendo nosso serviço melhorar. Acreditamos muito nessa pluralidade de perfis. Além de pessoas com deficiência, olhamos outro marcador, de mulheres na liderança.

Para nós, o mais importante é entender que temos um quadro diverso, bem como ouvir os colaboradores o tempo todo, fazê-los se sentir pertencentes, promover segurança psicológica para as pessoas com deficiência e sem deficiência. Queremos fugir de um pensamento que vem lá de trás, de que talvez o profissional com deficiência não vai entregar a mesma coisa do que um profissional sem deficiência. Isso é um viés que buscamos quebrar todos os dias, através da capacitação das nossas lideranças e fazendo com que os profissionais com deficiência tenham o mesmo acesso às oportunidades e ao desenvolvimento das competências do que o restante. 

Quando ouvimos os testemunhos, vemos que está dando certo esse olhar para a governança que fazemos. Isso se transforma em história real. E para fora é contar para as pessoas que o jeito Vitru de ser e fazer, acontece no dia a dia de fato, vai além de uma cultura pendurada na parede. 

Nosso objetivo é que cada vez menos tenhamos que fazer, por exemplo, feiras intencionais, porque não temos candidaturas espontâneas. A ideia é que a Vitru seja uma marca empregadora desejada, inclusive para os profissionais com deficiência. Para que, ao invés de irmos buscá-los, que eles passem a nos buscar também como uma empresa que eles querem trabalhar. 

Por fim, poderia indicar um conteúdo para quem acompanhou esta entrevista até o final?

Um tema que tem sido muito importante para nós é saúde mental e segurança psicológica dentro do ambiente de trabalho. Indico o report sobre Geração Z e futuro do trabalho, elaborado pela consultoria Subversiva, da Maíra Blasi. Em 2026, muitas das nossas ações vão ser conectadas a essa pauta. 

Vanessa Fajardo é jornalista, com passagens pelas redações do portal G1 e Agora SP. Também faz contribuições para veículos como Estadão, BBC Brasil, UOL e Porvir.

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